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Hoje foi um dia bom ūüôā

por beatriz j a, em 10.11.17

 

 

J√° ontem tinha sido. Os mi√ļdos do 10¬ļ ano passam o primeiro m√™s a testar os professores para ver at√© onde podem ir. Procuram fraquezas e inconsist√™ncias e cheiram a inseguran√ßa √† dist√Ęncia. Provocam-nos para ver a nossa reac√ß√£o. Depois h√° uma altura em que mudam de perspectiva e deixam-se cativar e a partir da√≠ √© tudo j√≥ia, como dizem os brasileiros.

Ontem aconteceu isso com uma das turmas do 10¬ļ, no que tenho a agradecer a uma aluna porque foi a situa√ß√£o dela e a quest√£o que fez que possibilitou a mudan√ßa de din√Ęmica da turma. O resto da aula foi fant√°stico.

Hoje aconteceu com outra turma que tem um grupo de alunos que estavam numa de¬†mostrar que s√£o muito cool e n√£o¬†precisam de professores para nada. Um deles, o l√≠der, tem andado a provocar-me para ver se eu desisto dele e o mando sair da sala porque deve estar habituado a usar isso ao peito como uma medalha. Se me conhecesse um bocadinho que fosse mudava de estrat√©gia; n√£o¬†mando sair ningu√©m da sala de aula porque eles est√£o ali para trabalhar e ademais¬†n√£o desisto de alunos muito menos por causa de provoca√ß√Ķes de adolescentes...¬†nesta rela√ß√£o de professor-aluno o adulto somos n√≥s¬†de modo que n√£o podemos reagir da mesma maneira que eles √†s provoca√ß√Ķes (a adolesc√™ncia √© um Universo muito diferente do nosso, com grande instabilidade emocional, inseguran√ßas, dramas e sonhos recambolescos do qual s√≥ temos vislumbres) sendo que os que mais provocam s√£o, geralmente, os que est√£o mais bloqueados e mais precisam de ajuda.¬†

Uma pessoa tem que pensar que estes mi√ļdos um dia v√£o ser adultos e n√£o quero que algum venha ter comigo e me diga, 'olhe l√°, ent√£o quando eu tinha 15 anos e n√£o sabia nada da vida, em vez de puxar por mim nas aulas e me obrigar a estudar e a progredir deixou-me fazer disparates e desistiu de mim?' Eu quero poder responder que fiz tudo o que era capaz e sabia.¬†

Pois, hoje foi o dia em que o grupinho que ele liderava entrou completamente na din√Ęmica da aula e o levou a fazer o mesmo.

√Č claro que, a partir do momento em que os cativamos a nossa responsabilidade cresce ainda mais porque eles depois confiam imenso em n√≥s e levam muito a s√©rio o que lhes dizemos; √© que os adolescentes n√£o relativizam bem as coisas, √© tudo preto ou branco.

Quando as turmas est√£o cativadas e se fecha a porta da sala de aula entramos num Universo s√≥ nosso e o resto do mundo s√≥ est√° ali dentro como objecto de estudo. √Č dif√≠cil de explicar a din√Ęmica extraordin√°ria que se cria ali dentro quando estamos todos em sintonia e o trabalho √© uma colabora√ß√£o.

 

Enfim, esta semana foi um ponto de viragem nestas duas turmas¬†e daqui para a frente o trabalho vai ser j√≥ia ūüôā.

 

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publicado às 19:03


N√£o somos imunes aos problemas dos outros

por beatriz j a, em 10.10.17

 

 

√Äs vezes sai-se das reuni√Ķes de pais com uma ang√ļstia daquelas que se sentem no est√īmago. Se eu n√£o soubesse que o ap√™ndice √© do lado direito pensava estar com uma apendicite aguda. √Č nestas alturas que mais valorizo o conselho do meu m√©dico que me disse uma vez que a dieta come√ßa no supermercado. Se tivesse chocolates em casa, hoje iam todos de enfiada.

Confesso que nestes 30 anos de profiss√£o a impress√£o que tenho dos pais √© positiva. J√° tive problemas com alguns porque h√° sempre gente mal formada¬†mas s√£o uma minoria. A grande maioria est√° preocupada com os filhos e tenta fazer o melhor que pode e sabe. Acontece que alguns mi√ļdos est√£o em situa√ß√Ķes dram√°ticas porque a adolesc√™ncia √© uma terra alien√≠gena, cheia de perigos inesperados e, acontece os pais n√£o terem, nem recursos nem conhecimentos para lidar com os seus problemas, acontece estarem desesperados, impotentes, sem saber o que fazer, os hospitais p√ļblicos n√£o d√£o resposta porque t√™m tempos de espera¬†obscenos -falo de esperar 6 meses para se ser visto por algu√©m- e as escolas n√£o t√™m respostas adequadas. Temos excesso de desemprego entre os psic√≥logos mas as escolas n√£o t√™m psic√≥logos educacionais para acompanhar estes alunos, alguns dos quais precisavam de interven√ß√£o urgente. Aqui na cidade n√£o existe urg√™ncia pedo-psiqui√°trica, por exemplo. Se √†s vezes conseguimos ajud√°-los √© porque j√° trabalhamos h√° muito tempo no mesmo s√≠tio e constru√≠mos uma pequena rede de contactos para estes casos mas as coisas n√£o podiam depender de arbitrariedades. √Č revoltante.

 

O ME, os governos e todos os que tomam decis√Ķes e legislam porcarias atr√°s de porcarias e enfiam todo o dinheiro p√ļblico na banca e nos saqueadores de dinheiros p√ļblicos, est√£o-se todos nas tintas para os alunos que, no entanto, s√£o o futuro do pa√≠s. As √ļnicas pessoas que se preocupam com eles s√£o os pais e n√≥s, professores, que lidamos com os adolescentes numa base di√°ria¬†e n√£o somos imunes aos problemas deles e das fam√≠lias.

 

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publicado às 22:12

 

 

Uma amiga está a tirar o curso de Direito em Coimbra. Um dos professores foi modelo de roupa interior. Parece que ninguém falta a essas aulas... kkkkkk

 

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publicado às 23:11


Simpatia, empatia e compaix√£o

por beatriz j a, em 23.09.17

 

 

O que é desejável num professor? A simpatia, a empatia e/ou a compaixão? A simpatia e a compaixão mas não a empatia, diria.

A simpatia, essa impress√£o de afinidade derivada de certas caracter√≠sticas que valoramos positivamente¬†nos outros √© muito importante porque a sua oposta, a antipatia, torna dif√≠cil o empenho no trabalho com os outros, neste caso os alunos. √Č uma esp√©cie de repelente. Nessa medida, se um professor tem antipatia por um aluno ou turma tem que ter uma estrat√©gia de nega√ß√£o da nega√ß√£o, isto √©, que inverta o valor negativo do seu ju√≠zo sobre os outros que lhe s√£o antip√°ticos pois todos sabemos como √© dif√≠cil trabalhar com pessoas que nos s√£o antip√°ticas.

A empatia, a n√£o ser superficial, n√£o s√≥ n√£o me parece necess√°ria como at√© me parece poder ser um empecilho na medida em que impede a a√ß√£o. Ser√° bom que um professor se aperceba do desconforto de um aluno ansioso quando tem que exp√īr-se de modo a ter cuidado no modo como lhe constr√≥i¬†a confian√ßa mas, n√£o ser√° bom que sinta o seu sofrimento, tal, qual, pois isso inibe-o de o ajudar, pela sua pr√≥pria incapacidade de suportar o sofrimento. Ora,¬†√©¬†necess√°rio que os alunos sintam algum desconforto sen√£o nunca evoluem e √© necess√°rio que o professor lhes provoque, sempre que necess√°rio, esse desconforto.

Já a compaixão, por ter uma componente cognitiva dominante em que compreendemos a posição dos outros, sem a sentir como nossa, impele à ação e à vontade de ajudar. Por exemplo, embora não sintamos o que é estar na pele de um refugiado de guerra, compreendemos as dificuldades dessa situação e, por isso, somos impelidos a ajudar, na medida em que nos reconhecemos, todos, como seres humanos.

A empatia é uma emoção volátil e gera pena e se dependemos dela para ajudar, a própria ajuda será volátil e inconsistente. A compaixão gera a compreensão que, não sendo volátil, mobiliza a vontade racional.

 

(acho que isto √© v√°lido para outras profiss√Ķes do g√©nero, quer dizer, que impliquem rela√ß√Ķes humans em certas circunst√Ęncias assim√©tricas)

 

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publicado às 05:57


dos alunos - tendência preocupante

por beatriz j a, em 20.09.17

 

 

Dantes, apanh√°vamos, muito de vez em quando, numa turma, um alun@ com algum problema de ansiedade. Agora √©¬†sempre, s√£o v√°rios e em todas as turmas e, n√£o s√£o pequenos problemas. S√£o problemas que implicam andarem com medicamentos de SOS... numa turma podemos ter¬†mi√ļdos¬†com ataques de p√Ęnico de ficarem com convuls√Ķes no ch√£o, mi√ļdos com s√≠ndrome de asperger, com epilepsia, uns quantos¬†a ser tratados por depress√£o, disl√©xicos... √© uma tend√™ncia t√£o forte que se nota mesmo que estejamos distra√≠dos. A quantidade de mi√ļdos que s√£o acompanhados por psiquiatras est√° a aumentar exponencialmente. Isto quer dizer que uma percentagem cada vez maior de mi√ļdos est√° num quase constante sofrimento. Uma pessoa tem de fazer das aulas ambientes positivos e de seguran√ßa para os mi√ļdos porque estas idades s√£o cabos bojadores. Mas √© dif√≠cil com estes problemas todos.

Depois, h√° m√©dicos que n√£o t√™m um minuto para fazer um relat√≥rio ou uma porcaria dum papel qualquer em que digam os protocolos de procedimentos para ajudar os mi√ļdos de cada vez que t√™m ataques de p√Ęnico ou de ansiedade de modo que somos n√≥s, professores, que temos de fazer de enfermeiros, psic√≥logos e o diabo a nove.¬†

Qualquer coisa muito doentia se passa nesta sociedade que atinge os mi√ļdos com uma press√£o constante e imposs√≠vel de aguentar. N√£o admira que muitos se alienem nos jogos, nas redes sociais, na pornografia e sei l√° mais em qu√™.¬†

 

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publicado às 22:10


A realidade não é fofinha

por beatriz j a, em 11.09.17

 

 

Este ano, todas as turmas que tenho do 10¬ļ ano t√™m alunos com necessidades educativas especiais e n√£o s√£o coisas de pouca monta. Por exemplo, uma tem epilepsia, outra tem s√≠ndrome de Tourette que √© uma doen√ßa grave, com epis√≥dios frequentes durante as aulas e outra tem problemas cognitivos graves. Todos em turmas com 30 alunos, onde √© suposto n√≥s, professores, termos um ensino diferenciado para estes alunos ao mesmo tempo que cumprimos o programa e trabalhamos com os outros 29, sabe-se l√° que problemas t√™m tamb√©m, porque nem todos os alunos v√™m sinalizados; isto tudo para al√©m de lidar com os epis√≥dios pr√≥prios das doen√ßas destes alunos, para o qual n√£o temos prepara√ß√£o. Isto √© a realidade das escolas e esta falta de condi√ß√Ķes n√£o podia acontecer.¬†

 

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publicado às 17:31

 

 

Um quinto das escolas portuguesas tem situa√ß√Ķes de pobreza, exclus√£o social e viol√™ncia. Situa√ß√Ķes n√£o incomuns nas escolas:¬†

* @s alun@s têm problemas de visão, audição e outros mas não têm dinheiro para consultar um médico de modo que trabalham diminuídos.

* são vários irmãos e não há dinheiro para os materiais escolares de modo que não têm maneira de estudar.

* têm uma dieta de pão e bolos porque as famílias são empobrecidas e desinformadas.

* o pai é alcoólico e abusa dos filhos.

* um dos pais ou ambos são drogados. Quem toma conta dos filhos são os avós. Os pais tiram o dinheiro aos filhos.

* os filhos vivem s√≥ com a m√£e que √© desempregada. Tios e primos, √† vez, v√£o ajudando nas refei√ß√Ķes, etc.

* os pais entram cedo no trabalho e saem tarde (na autoeuropa, por exemplo). Os filhos estão mais ou menos por sua conta, sendo os mais velhos a tomar conta dos mais novos, desde levá-los à escola (eles próprios chegam atrasados) a dar-lhes o almoço, etc.

* os pais entram cedo no trabalho e trabalham longe. A av√≥ ou av√ī tem alzheimer. Quem trata del@ antes de vir para a escola s√£o os filhos. Podem ter que dar-lhes banho no caso de serem pessoas que t√™m de usar fraldas e alguma coisa acontecer.

* a mãe ou o pai sairam de casa com outra pessoa e pura e simplesmente abandonam os filhos à sua sorte. Os avós geralmente aparecem a tentam tomar conta deles.

* os pais perderam a casa durante a crise. Vivem todos em um quarto em casa de um familiar.

* os pais estão desempregados. Os filhos têm dois trabalhos para além da escola.

* os pais ou um dos pais est√° desempregado. N√£o h√° dinheiro. Ambos os pais est√£o em depress√£o. Os filhos est√£o ao deus-dar√°.

* os pais têm um café mas não têm dinheiro para ter empregados. Os filhos trabalham no café desde que saem da escola até à meia-noite.

etc., etc.

Depois enfiam-nos em turmas de 30 e esperam que os professores cumpram os programas, ponham os alunos a ter sucesso ao mesmo tempo que fazem de psicólogos, assistentes sociais, solucionadores de vidas alheias e o diabo a nove.

 

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publicado às 16:19


O que faz gostar de ensinar?

por beatriz j a, em 15.05.17

 

 

* Na idade em que apanho os alunos, entre os 15/16 e os 18/19 anos, ainda estão a definir-se, ainda são pessoas optimistas, idealistas, capazes de mudar (depois disso começa a ser difícil mudar porque a maioria das pessoas cristaliza) e sendo eu uma optimista, acredito que é pela educação que se vão mudando as sociedades. 

 

* Temos um impacto positivo na vida dos alunos (se nos deixarem trabalhar e não nos sabotarem). Não em todos, claro, mas em muitos. Temos o poder de ajudar, de orientar, de inspirar. Uma sala de aula é um pequeno modelo de sociedade: o que fazemos e como o fazemos mostra as possibilidades positivas de uma sociedade.

 

* Uma pessoa pode dar aulas vinte anos e continua a ser surpreendida porque os seres humanos n√£o s√£o iguais, as din√Ęmicas das turmas n√£o s√£o iguais e isso obriga-nos a maleabilidade, a estar alerta e despertos. Temos que estar sempre em bicos de p√©s, n√£o nos podemos acomodar.¬†

 

* O prazer gratificante de ver no olhar de um aluno aquele brilho de quem acabou de ligar os pontos e compreender as coisas.

 

* Acompanhar a evolu√ß√£o dos mi√ļdos desde o 10¬ļ ao 12¬ļ ano. Ver o crescimento, a matura√ß√£o intelectual... ver um ser humano em constru√ß√£o √© uma coisa extraordin√°ria.

 

* A maioria dos adolescentes tem qualquer coisa interessante que nem sempre é fácil descobrir mas, descobri-lo é um desafio que gosto.

 

* Uma pessoa aprende muito com os alunos porque os adolescentes n√£o t√™m filtros sociais e dizem-nos, por palavras ou comportamentos, o que pensam de n√≥s e do nosso trabalho: aprende-se a ser paciente, a desvalorizar certas atitudes que noutro contexto n√£o aceitar√≠amos, aprende-se a ter uma vis√£o abrangente, aprende-se a reconhecer padr√Ķes de evolu√ß√£o, aprende-se a aceitar as nossas pr√≥prias insufici√™ncias.

 

* √Č fant√°stico quando uma turma, ou at√© um aluno apenas, se apaixona pelo conhecimento e desata a querer saber tudo, a questionar tudo, a entusiasmar-se com tudo e a evoluir duma maneira que nem acreditamos (tenho uma turma de 12¬ļ ano que √© assim desde o 10¬ļ ano).

 

* Damos por nós a emocionarmo-nos de cada vez que um aluno supera dificuldades e consegue atingir objectivos.

 

* √Č giro ver os mi√ļdos serem cr√≠ticos, criativos e organizarem-se quando t√™m o controlo de certas tarefas.

 

* De vez em quando encontramos ex-alunos e damo-nos conta do impacto que tivemos na sua aprendizagem e crescimento intelectual. Isso é extremamente gratificante.

 

* Gerir o tempo de trabalho mesmo que isso me faça trabalhar a maioria dos fins de semana.

 

* Reconhecer o potencial de um aluno difícil e insconsciente do seu valor, ter a coragem de não desistir dele e ser capaz de ajudá-lo a libertar esse potencial, é uma sensação de realização como não há outra.

 

* Ensinar é, sobretudo, divertido, quando tudo corre excelentemente bem numa aula e vemos que os alunos estiveram entusiasmados, o que não é o pão nosso de cada dia e, nunca é garantido, por muito bem que se prepare as aulas.

 

* Obriga-nos a ter uma atitude positiva e a reavaliar constantemente o que fazemos e como o fazemos.

 

* Praticamente todos os anos fazemos amigos entre os alunos.

 

* Até os alunos que não gostaram de nós nos ajudam: mantêm-nos os pés na terra.

 

* Quando as aulas correm bem é como se aquela sala de aula fosse a totalidade do Universo e enquanto estamos ali tudo faz sentido, mesmo o que não faz sentido e, tudo podemos.

 

* Ensinar √© o contr√°rio de aborrecimento. N√£o h√° dois dias iguais, apesar de haver rotinas e padr√Ķes.

 

* A maioria dos mi√ļdos quer muito acertar na vida e n√£o sabe como e podemos ajudar alguma coisa, ser a oportunidade que precisam.

 

* √Č claro que poder passar parte do dia mergulhada na Filosofia √© meio caminho andado para gostar de dar aulas. E como a Filosofia que se faz neste n√≠vel √© b√°sica, estamos sempre numa actividade de discuss√£o de problemas fundamentais.

 

 

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publicado às 18:40

 

Chumbo de alunos n√£o traz melhorias no desempenho futuro

Em Portugal há uma maior propensão para reter os rapazes, nacionais ou descentes de outros países de língua portuguesa, assim como os alunos com mães com nível de educação inferior, sublinham ainda os investigadores.

 

 

Quando se diz que há uma 'maior propensão para reter os rapazes e os alunos com mães de educação inferior dá-se a entender que há um preconceito, por parte dos professores, que são quem os retém, contra os alunos que são rapazes e contra os alunos que são filhos de mães com pouca instrução. Neste caso, procura-se alterar a acção dos professores, como por exemplo, mandar que passem os alunos, nomeadamente os destes dois grupos.

√Č muito diferente de dizer que os alunos cujas m√£es t√™m menos instru√ß√£o t√™m tend√™ncia a chumbar mais que os outros e que os rapazes chumbam, em geral, mais que as raparigas. Neste caso, procura-se que a escola compense os alunos pela aus√™ncia de um contexto familiar academicamente rico e procura-se saber que tipo de vida, h√°bitos de estudo, educa√ß√£o, etc., os rapazes t√™m que os leva a chumbar mais.

Cada uma das maneiras de problematizar a questão orienta o tipo de solução que se tenta encontrar.

 

Tamb√©m o t√≠tulo da not√≠cia problematiza a quest√£o de um ponto de vista econ√≥mico, de modo que a solu√ß√£o, a ser encontrada a partir desta maneira de p√īr o problema, ser√° uma solu√ß√£o econ√≥mica: passar os alunos por decreto.

N√£o estou a dizer que mandar passar os alunos √© bom ou mau, estou apenas a dizer que, ao problematizar-se a quest√£o deste modo, define-se imediatamente um campo de actua√ß√£o que exclui outras possibilidades de solu√ß√£o, pr√≥prias de outras problematiza√ß√Ķes diferentes, mais abrangentes. E, sabendo disto, √© importante considerar qual o tipo de problematiza√ß√£o que guia a ac√ß√£o para a melhor solu√ß√£o do problema, entendendo por melhor, a mais duradoura e vantajosa para os alunos.

 

Por exemplo, podia p√īr-se a quest√£o de outro modo: ser√° que n√£o reter os alunos melhora o seu desempenho futuro? Ou tamb√©m n√£o melhora? E ser√° que afecta negativamente outros das turmas para onde v√£o que n√£o estavam nessa situa√ß√£o? √Č que se n√£o melhora, ent√£o pass√°-los s√≥ adia o problema e talvez seja pior adiar o problema para uma altura (dali a dois ou tr√™s anos) em que ele j√° n√£o tem recupera√ß√£o poss√≠vel.

Continuando o exemplo, que √© uma mera hip√≥tese de trabalho: um aluno vai passando, sempre com negativa a Matem√°tica e chega ao exame do 9¬ļ ano e tira 15% no exame (isto √© vulgar acontecer) mas passa porque a nota de exame conta 30%. No 10¬ļ ano escolhe um curso de ci√™ncias que tem Matem√°tica como disciplina espec√≠fica mais importante (tr√™s anos com exame obrigat√≥rio no 12¬ļ ano). Este aluno, numa turma de 30 ou mais, perde-se completamente. N√£o tem conhecimentos nem disciplina para acompanhar os trabalhos nem o professor pode parar a aula para dar-lhe explica√ß√Ķes.¬†At√© pode ir passando, para continuar com a turma, at√© ao 12¬ļ ano mas, depois, fica ali encalhado a chumbar nos exames at√© ir-se embora com o seund√°rio por acabar. N√£o sei quantos s√£o os que fazem este percurso mas s√£o, de certeza, mais do que um quarto do total e, estou a ser parcimoniosa. Se forem v√°rios assim numa turma, vamos dizer 8 ou 10 (o que √© vulgar), a n√£o ser que os outros 20 sejam todos bons (o que √© invulgar), arrastam os medianos, os que foram passando com dificuldade mas sem favor, para baixo, porque grande parte da aula √© concentrada nas dificuldades destes alunos que atrasam toda a aula e baixam consideravelmente o n√≠vel da turma. √Č preciso perceber que numa aula de 90 minutos o professor tem 3 minutos para cada aluno e que todos que damos aulas sabemos que o n√≠vel da turma tem enorme influ√™ncia no rendimento final. (N√£o por acaso, os professores de estatuto especial nas escolas (ex-titulares e amigos especiais dos chefes) s√≥ trabalham com as turmas onde se juntaram os alunos que v√™m com boas m√©dias porque √© muito dif√≠cil trabalhar com as outras [afectam a motiva√ß√£o, o cansa√ßo, obrigam a um grande esfor√ßo e multiplicidade de metodologias, de saber resolver e gerir conflitos, etc.] que s√£o turmas problem√°ticas e n√£o est√£o para isso sendo que muitos nem sabem faz√™-lo.)

Nesta hip√≥tese, os alunos terem passado sem conhecimentos, leva a que outros alunos, por efeito de din√Ęmica das turmas sejam arrastados tamb√©m para um baixo rendimento. Ora, isso nunca √© considerado nestes c√°lculos econ√≥micos.

 

Ent√£o talvez, nesta hip√≥tese, em vez de passarem os alunos que n√£o t√™m conhecimentos, se adoptem outras solu√ß√Ķes, como por exemplo: ter as turmas mais pequenas para que logo no 5¬ļ e 6¬ļ ano (ou at√© antes) os professores possam detectar os problemas e resolv√™-los atempadamente; ter professores que d√£o apoio a esses alunos, n√£o como um extra ao trabalho do professor, como agora acontece, mas como actividade lectiva que √©; mudar o programa de Matem√°tica (que est√° feito no pressuposto, dizem-me os colegas, que todos os alunos h√£o-de ir para a universidade para um curso que tem Matem√°tica, quando esses s√£o uma pequena minoria [nunca percebi porque √© que quem vai para cursos de sa√ļde tem que ter Matem√°tica e, logo como disciplina principal, em vez da Biologia ou a Qu√≠mica] que escolhe engenharias ou econ√≥micas) de modo que a forma√ß√£o geral seja mais virada para o que √© necess√°rio para a vida ou para um curso pr√°tico.

 

Outras solu√ß√Ķes haver√°. N√£o estou aqui a esgotar solu√ß√Ķes, ou sequer a resolver o problema dos chumbos num post, como √© evidente, estou apenas a mostrar que o modo como se problematiza uma quest√£o, neste caso a quest√£o das reten√ß√Ķes, afecta o tipo, na quantidade e qualidade, de solu√ß√Ķes que se podem encontrar e, o que me parece, √© que problematizam sempre as quest√Ķes da educa√ß√£o do ponto de vista exclusivamente econ√≥mico, muito simplista, como se as quest√Ķes n√£o fossem complexas, de modo que, por essa raz√£o, deixam sempre de fora muitas poss√≠veis solu√ß√Ķes e acabam sempre com certos clich√©s como, 'autonomia' e 'flexibilidade' e outras coisas id√™nticas. Como √© que a autonomia (para passar alunos ou elaborar tumas) ou, a flexibilidade (para dar mais horas √† Matem√°tica?... ou para fazer experi√™nciazinhas meio √† toa...?) por si s√≥, resolvem problemas complexos, √† laia de milagre, que mexem com imensas vari√°veis?

 

Para mim, esta maneira de problematizar as quest√Ķes da educa√ß√£o, de um ponto de vista meramente econ√≥mico, √© a pior de todas, porque n√£o resolve nenhum problema educativo, s√≥ econ√≥mico. Todas as solu√ß√Ķes de uma problematiza√ß√£o pedag√≥gica ficam logo exclu√≠das √† partida.

Mas se o fito é apenas poupar dinheiro, façam o que têm a fazer, mas sem demagogias, sff.

 

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publicado às 14:34

 

 

Um colega que fez, com outros, uma visita de estudo fora do pa√≠s, de v√°rios dias, com alunos de v√°rias turmas do 11¬ļ e 12¬ļ anos contava-me h√° tempos que, tendo o grupo chegado, no regresso, √†s quatro da manh√£ ao aeroporto, os pais, √† medida que iam chegando e recolhendo os filhos, comportaram-se como se os professores n√£o estivessem presentes: nem boa noite, nem obrigada, nem uma pergunta qualquer de circunst√Ęncia ou cortesia, do g√©nero, 'ent√£o correu tudo bem'... nada, n√©pias, nicles, niente. Dizia-me ele, 'foi como se f√īssemos invis√≠veis'. Chegavam, levavam os filhos sem se aproximar, sem nos olhar sequer... uma m√£e que chegou muito atrasada de modo que j√° s√≥ l√° estava o filho mais os professores, que a esperavam, n√£o podendo ignor√°-los, disse 'boa noite', agarrou no filho e andor.

Fiquei chocada a ouvir isto. Quer dizer, eu sei que as pessoas n√£o fazem ideia do que √© organizar uma visita de estudo de v√°rios dias, fora do pa√≠s, com actividades a preencher os dias, com interven√ß√Ķes pedag√≥gicas preparadas para cada actividade e tudo pensado para prevenir que alguma coisa possa correr mal, sendo que se corre, mal, a responsabilidade √© dos professores. Tamb√©m n√£o sabem que os professores em visita de estudo n√£o t√™m direito a subs√≠dio de almo√ßo (o minist√©rio deve achar que n√£o √© trabalho) e que muitas vezes t√™m que rep√īr as aulas como se n√£o estivessem em trabalho. (√Č um sacrif√≠cio que eu, por exemplo, n√£o fa√ßo. Fa√ßo visitas de estudo de um dia: ir de manh√£, vir √† tarde ou √† noite. Mesmo assim fico sem o subs√≠dio de refei√ß√£o desse dia como se n√£o precisasse de comer.) Eu sei que n√£o sabem, nem pensam nisso mas, mesmo assim, acho uma falta de considera√ß√£o e de educa√ß√£o tremendas.¬†

De modo que... às vezes os filhos são como são porque os pais são como são.

 

 

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publicado às 17:12

 

 

Tenho uma turma do 10¬ļ ano de que gosto muito. Um dos rapazes est√° pela 3¬™ vez no 10¬ļ ano. Os outros professores conheciam-no de outros anos como um aluno desleixado mas eu, que nunca o tinha visto, s√≥ o conhe√ßo como um aluno com dificuldades (n√£o √© portugu√™s e n√£o domina bem a l√≠ngua) mas muito empenhado, cheio de vontade de acertar e de progredir de ano. Na √ļltima aula pus a turma a fazer um pequeno trabalho e ele acabou mais cedo e perguntou-me se podia p√īr-se a ouvir m√ļsica. Disse-lhe que n√£o porque a aula n√£o √© um s√≠tio de aliena√ß√£o. Depois pensei melhor porque o rapaz precisa de toda a motiva√ß√£o e mais alguma e perguntei-lhe que m√ļsica ia ouvir. Ele disse-me rap. Disse-lhe que o¬†rap tem umas letras muito ofensivas para as mulheres. Ele disse-me que n√£o ouve esse rap. Ouve rap russo que 'faz muito sentido'. Ent√£o disse-lhe, 'tamb√©m ou√ßo russos no meu mp3. N√£o √© rap mas s√£o compositores russos.¬†'Ahh diz ele, essa m√ļsica n√£o gosto.' Perguntei-lhe se alguma vez tinha ouvido. Disse que n√£o. Ent√£o fiz-lhe uma proposta: 'se aprender a gostar da minha m√ļsica eu aprendo a gostar da sua'. Riu-se. 'Mas a professora percebe russo?'. N√£o, mas arranjo maneira de saber. Tenho um ex-aluno ucraniano de quem sou amiga e se for preciso ele diz-me. A grande vantagem √© que a minha m√ļsica n√£o precisa de tradu√ß√£o. S√≥ tem que ouvi-la. Pense nisso. Ali√°s, at√© podia escolher umas m√ļsicas para eu ouvir j√° que √© especialista nisso e eu de rap russo n√£o percebo nada. Se aprender a gostar da minha m√ļsica, depois dou-lhe controlo de uns minutos em cada aula para poder ouvir a sua m√ļsica. Ficou a matutar.

N√£o sei o que ele vai responder mas como quero que o mi√ļdo diversifique os interesses rapidamente, daqui at√© √† pr√≥xima aula vou aprender duas ou tr√™s m√ļsicas de rap russo para o provocar e incentivar a uma pequena mudan√ßa mental. Vamos ver. Entretanto, tenho que procurar¬†rap russo, p√īr no mp3 e ouvir at√© saber a letra de cor.

 

 

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publicado às 20:36


√Č isto...

por beatriz j a, em 28.04.17

 

 

H√° pouco tempo, num inqu√©rito feito a professores, j√° n√£o lembro por quem, mas recordo que tinha a ver com a indisciplina nas escolas, os resultados mostraram que a esmagadora maioria dos professores tem como prioridade conseguir que os alunos gostem de si. Para que isso aconte√ßa, t√™m que n√£o incomod√°-los muito, ser porreira√ßos, compinchas, etc. √Č claro que sacrificam o interesse dos alunos.

 

Uns fazem-no por ignor√Ęncia. S√£o aqueles que dizem, 'ep√°, que interessa, mais trabalho menos trabalho, ou que eles n√£o fa√ßam isto ou aquilo ou que tenham cometido fraudes... isto aqui n√£o √© a tropa, o que importa √© sermos amigos e estarmos bem e sobretudo que eles estejam felizes e tal'. Parece-me isto uma enorme falta de respeito pelos alunos. √Č n√£o perceber que s√£o pessoas, que t√™m potencialidades que nunca v√£o concretizar se n√£o os incomodarmos um bocado de maneira a que eles as descubram e se superem. Estes s√£o geralmente os que enchem a boca com palavras como democracia, igualdade, v√£o para as manifesta√ß√Ķes gritar por direitos, etc., mas n√£o percebem que n√£o fazem a sua parte para que os mi√ļdos, de facto, tenham na escola uma oportunidade de superar o mau lugar de partida que a vida lhes reservou. S√£o a maioria, como dizia os resultados do tal inqu√©rito, querem √© que os alunos gostem deles.¬†

 

Depois h√° os que o fazem por cobardia. S√£o aqueles que dizem, 'ep√°, lixa-te nisso, ningu√©m te paga para isso. J√° viste as condi√ß√Ķes em que trabalhamos? Vais arranjar chatices... para qu√™? Se o indiv√≠duo/a n√£o quer fazer ou quer desistir, deixa-o ir. Cada um sabe de si'. Ora, √© evidente que os mi√ļdos, mesmo aos 18 anos, muitas vezes n√£o sabem o que √© melhor, querem √© o mais f√°cil ou querem fugir dos problemas. Os cobardes s√£o especialistas em fazer¬†tudo segundo as regras sem fazer nada que incomode alguma vez algu√©m, pois o seu interesse √© estar bem com todos ao mesmo tempo, n√£o ter chatices e manter os privil√©gios intactos.

 

O problema é que uma pessoa não anda ali só para despejar matéria ou para cumprir calendário e ganhar uma porcaria de salário não é justificação para tudo e mais alguma coisa. Há alunos que precisam mesmo de ser incomodados, precisam de um empurrão para evoluir, sem o qual saem da escola mais ou menos como entraram, com os mesmos problemas e dificuldades. Uma pessoa vai desenvolvendo um trabalho que por um lado constrói confiança mas por outro força a dar o passo em frente. E depois vem alguém e deixa-os fugir.

Dantes, na escola pr√©-Rodrigues, os professores colaboravam uns com os outros para os alunos superarem dificuldades, mas na escola p√≥s-Rodrigues, isso s√≥ existe por acaso, se porventura, num s√≠tio, coincidirem v√°rias pessoas que n√£o tenham uma vis√£o cobarde ou miserabilista dos alunos e da educa√ß√£o. √Č rara essa coincid√™ncia. A colabora√ß√£o foi substitu√≠da pela interfer√™ncia. Toda a gente v√™ o seu cargo como uma oportunidade de exercer poder e interferir. Esp√≠rito colaborativo e respeito s√£o miragens de outra √©poca.¬†

O que mais me chateia nisto tudo √© ser¬†t√£o est√ļpida que me esque√ßo completamente que estamos na era p√≥s-Rodrigues, que n√£o posso contar que¬†haja respeito, interesse pelos alunos e colabora√ß√£o generalizados e que √© preciso¬†sempre tomar precau√ß√Ķes para¬†evitar estragos. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!

 

 

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publicado às 14:40


Coisas que revoltam na educação

por beatriz j a, em 27.04.17

 

 

Ontem e hoje tive reuni√Ķes de pais. As tr√™s DTs t√™m uma maioria de alunos cujos pais t√™m em m√©dia o 9¬ļ ano. Alguns t√™m¬†mais mas s√£o poucos. As turmas s√£o fracas, os pais n√£o t√™m recursos, nem econ√≥micos, nem intelectuais para ajudar os filhos como eles precisavam. √Č a√≠ que devia entrar a escola p√ļblica, n√£o √© verdade? Pois devia... mas n√£o entra. Todas as tr√™s turmas t√™m aulas misturados com outras turmas nas diferentes disciplinas: numa podem estar com a turma x, na outra com a y e na outra foram divididos e metade tem aulas com a x e a outra metade com a z. Quer dizer, a turma em si s√≥ existe como entidade te√≥rica no livro de ponto (excepto em algumas disciplinas espec√≠ficas) ou nem isso e est√° repartida por dois livros de ponto com letras diferentes numa baralhada total... isto tudo para que as turmas estejam no m√°ximo de alunos poss√≠vel. O resultado √© os professores trabalharem com turmas que na realidade s√£o conjuntos de alunos de duas, tr√™s ou quatro turmas diferentes somados em n√ļmero de 30 ou mais dentro da sala. Claro que √© imposs√≠vel fazer um trabalho diferenciado com¬†estes alunos fracos e cheios de dificuldades, em turmas descaracterizadas, sem identidade, enormes, sem din√Ęmica pr√≥pria e, muitas vezes, como acontece em duas das minhas DTs, francamente antag√≥nicas.

 

Hoje os pais de uma das turmas perguntavam-me, 'mas os professores n√£o chamam a aten√ß√£o da Direc√ß√£o, n√£o dizem que os alunos assim n√£o conseguem?'. √Č claro que chamamos a aten√ß√£o e vai escrito em todas as actas das reuni√Ķes mas ningu√©m quer saber. O Minist√©rio n√£o quer saber de investir na educa√ß√£o, quer √© reduzir custos e a inspe√ß√£o aprova estas barbaridades todas e ainda outras...¬†[como o meu e outros hor√°rios, por exemplo...]. E n√£o me venham dizer que √© uma¬†quest√£o de dinheiro porque h√° dinheiro aos milhares de milh√£o para todos os calotes de todos os bancos, ano ap√≥s ano...

 

√Č dif√≠cil vermos estas pessoas, que trabalham em f√°bricas, em supermercados, em restaurantes terem j√° os filhos a trabalhar metade do dia para pagarem as contas da casa¬†[uma das alunas do 12¬ļ ano que trabalha na caixa de um hipermercado disse-me que agora foram proibidas de sentar-se porque isso reduz a produtividade de modo que est√£o horas de p√© a atender clientes, sem pausas... ]¬†e irem aos poucos desistindo da ideia de os verem ter uma vida melhor que a deles porque a escola p√ļblica se demite de investir nos alunos e s√≥ trabalha para ingl√™s ver: primeiro tratam-se assim os mi√ļdos e a maioria vai abandonando os estudos e chumbando por falta de condi√ß√Ķes reais de igualdade de oportunidades e depois vem o ministro e manda¬†acabar com os chumbos para fingir que todos t√™m sucesso, que √© uma maneira de tapar as rachas da parede com pintura bilhante. √Č revoltante.

 

 

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publicado às 20:56


Coisas mesmo simp√°ticas

por beatriz j a, em 10.03.17

 

 

De repente uma aluna do 3¬ļ ano em que dei aulas, de uma turma de quimiotecnia, na Sebasti√£o da Gama (onde √© que isso j√° vai) descobriu-me no FB e disse-me que tentava saber de mim j√° h√° bastante tempo e depois disse-me coisas extremamente simp√°ticas. J√° ganhei o dia ūüôā

 

 

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publicado às 15:59

 

 

Ameaças obrigam a cancelar conferência de Jaime Nogueira Pinto  

Professor ia falar na Universidade Nova de Lisboa sobre o Brexit, Trump e Le Pen.

O¬†CM¬†sabe que a decis√£o foi tomada ap√≥s a Associa√ß√£o de Estudantes apresentar uma mo√ß√£o contra "um evento associado a argumentos colonialistas, racistas e xen√≥fobos" e apelar √† Dire√ß√£o para n√£o ceder a sala onde iria decorrer a confer√™ncia. A Associa√ß√£o de Estudante enviou ainda "uma nota de rep√ļdio a esta actividade e a todas as suas implica√ß√Ķes ideol√≥gicas".

 

A censura é própria das ditaduras e dos regimes autoritários. Colonialista é a atitude de impedir uma pessoa de argumentar o seu ponto de vista por ser contrário ao nosso. Este triste acontecimento que esperamos seja anomalia é mais um sintoma da decadência do ensino das Humanidades. 

A argumentação é própria de um Estado democrático e argumentar significa conceder ao outro o direito de nos contestar, criticar ou negar, o que por sua vez implica respeito pela pessoa que é o outro e pela sua liberdade de pensar e construir os seus quadros de referência teóricos e práticos. Recusar argumentar argumentos e em vez disso calar as pessoas é próprio de regimes autoritários, ditatoriais. Que os alunos universitários estejam do lado do autoritarismo contra a liberdade de expressão é inédito e surpreendente... ou talvez não, tendo em conta que estes alunos que andam agora na universidade já se desenvolveram em escolas (básicas e secundárias) onde o exemplo que é dado é cada vez mais exactamente este de se calarem as vozes críticas à força... E no país também: ainda ontem o senhor Costa tentou menorizar e apoucar a oposição, não foi?

Seja como for é um sinal muito preocupante da decadência da qualidade da experiência universitária. Qualquer dia resume-se às praxes e pouco mais.

 

 

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publicado às 19:51


Do ba√ļ das mem√≥rias :)

por beatriz j a, em 08.09.16

 

 

O FB hoje perguntou-me se me lembrava disto? Claro que lembro. Foi lá para 2008 ou 2009, numa visita de estudo que fizémos à Faculdade de Ciências da Rua da Escola Politécnica (adorei o museu de Geologia) e a uma exposição na Gulbenkian sobre Darwin. Fiquei tão fascinada com o museu de Geologia que durante um mês massacrei toda a gente à minha volta com as pedras e a maquete das minas da Panasqueira e o sistema de oxigenação das minas e o diabo a nove.  ahahahah

Gostei imenso desta visita de estudo. Eu estou ali à frente, sentada no chão.

 

 

 

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publicado às 08:02

 

 

"Os professores s√£o os √ļnicos adultos que encaram os jovens", afirma Mario Sergio Cortella¬†

 

Pioneiro: E além da má remuneração, ocorre ainda a falta de respeito com os professores...
Cortella: Isso acontece tanto porque n√≥s, professores, somos os √ļnicos adultos que encaram o jovem hoje. As crian√ßas tem autonomia, fazem a comida sozinha usando o micro-ondas, n√£o falam mais com os pais. Os pais s√£o ref√©ns das crian√ßas: ela decide onde vai almo√ßar, o que a fam√≠lia assistir√° na televis√£o. A primeira pessoa que ela encontra no dia que pergunta: 'onde est√° teu caderno? e o uniforme? pode desligar o celular?', √© o professor.¬†

 

 

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publicado às 14:55

 

 

√Č por isto: dinheiro. De facto, enquanto os professores querem a redu√ß√£o a pensar nos alunos os governos, na sua enorme incompet√™ncia de lidarem com a d√≠vida p√ļblica, v√£o √†s escolas poupar dinheiro, porque... √© f√°cil e s√≥ sabem fazer o f√°cil.

 

De forma a que sejam reunidos o m√°ximo de dados sobre o tema antes que seja tomada uma decis√£o final, o Conselho Nacional de Educa√ß√£o divulgou os custos inerentes √† redu√ß√£o de alunos por turma. Assim, tendo por base o custo m√©dio anual de um docente contratado e de um assistente operacional, o encargo financeiro direto resultante seria superior a 750 milh√Ķes de euros.

 

 

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publicado às 05:44

 

 

As coisas andam assim... √© a lei do menor esfor√ßo. Uma escola que ensina o desrespeito e a viol√™ncia n√£o √© um lugar de educa√ß√£o. Educar √© dif√≠cil e d√° trabalho. Abusar do poder √© f√°cil. √Č triste...

 

 

Video Captures School Officer Slapping a Student in Baltimore 

see more https://revolution-news.com/video-captures-school-officer-…/

 

 

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publicado às 12:52


dos alunos. coisas muito boas ūüėä

por beatriz j a, em 02.03.16

 

 

 

Hoje uma das turmas do 10¬ļ ano disse-me que estava a gostar da mat√©ria, que no ano passado tinham-lhes dito que a Filosofia era uma coisa horr√≠vel e muito chata mas que afinal at√© nem era e estavam a achar piada ūüĎ欆ūüėä

Na aula passada fart√°mos de rir a prop√≥sito de exemplos acerca da √©tica do Stuart Mill e hoje perguntaram-me se termos estado t√£o divertidos na outra aula era uma falta de respeito [para com a seriedade dos assuntos, querem eles dizer] ūüėä Isto p√Ķe-me bem disposta, pelo menos, at√© ao fim da semana.¬†

 

 

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publicado às 16:54

g.a


3-8-12



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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