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O que faz gostar de ensinar?

por beatriz j a, em 15.05.17

 

 

* Na idade em que apanho os alunos, entre os 15/16 e os 18/19 anos, ainda estão a definir-se, ainda são pessoas optimistas, idealistas, capazes de mudar (depois disso começa a ser difícil mudar porque a maioria das pessoas cristaliza) e sendo eu uma optimista, acredito que é pela educação que se vão mudando as sociedades. 

 

* Temos um impacto positivo na vida dos alunos (se nos deixarem trabalhar e não nos sabotarem). Não em todos, claro, mas em muitos. Temos o poder de ajudar, de orientar, de inspirar. Uma sala de aula é um pequeno modelo de sociedade: o que fazemos e como o fazemos mostra as possibilidades positivas de uma sociedade.

 

* Uma pessoa pode dar aulas vinte anos e continua a ser surpreendida porque os seres humanos não são iguais, as dinâmicas das turmas não são iguais e isso obriga-nos a maleabilidade, a estar alerta e despertos. Temos que estar sempre em bicos de pés, não nos podemos acomodar. 

 

* O prazer gratificante de ver no olhar de um aluno aquele brilho de quem acabou de ligar os pontos e compreender as coisas.

 

* Acompanhar a evolução dos miúdos desde o 10º ao 12º ano. Ver o crescimento, a maturação intelectual... ver um ser humano em construção é uma coisa extraordinária.

 

* A maioria dos adolescentes tem qualquer coisa interessante que nem sempre é fácil descobrir mas, descobri-lo é um desafio que gosto.

 

* Uma pessoa aprende muito com os alunos porque os adolescentes não têm filtros sociais e dizem-nos, por palavras ou comportamentos, o que pensam de nós e do nosso trabalho: aprende-se a ser paciente, a desvalorizar certas atitudes que noutro contexto não aceitaríamos, aprende-se a ter uma visão abrangente, aprende-se a reconhecer padrões de evolução, aprende-se a aceitar as nossas próprias insuficiências.

 

* É fantástico quando uma turma, ou até um aluno apenas, se apaixona pelo conhecimento e desata a querer saber tudo, a questionar tudo, a entusiasmar-se com tudo e a evoluir duma maneira que nem acreditamos (tenho uma turma de 12º ano que é assim desde o 10º ano).

 

* Damos por nós a emocionarmo-nos de cada vez que um aluno supera dificuldades e consegue atingir objectivos.

 

* É giro ver os miúdos serem críticos, criativos e organizarem-se quando têm o controlo de certas tarefas.

 

* De vez em quando encontramos ex-alunos e damo-nos conta do impacto que tivemos na sua aprendizagem e crescimento intelectual. Isso é extremamente gratificante.

 

* Gerir o tempo de trabalho mesmo que isso me faça trabalhar a maioria dos fins de semana.

 

* Reconhecer o potencial de um aluno difícil e insconsciente do seu valor, ter a coragem de não desistir dele e ser capaz de ajudá-lo a libertar esse potencial, é uma sensação de realização como não há outra.

 

* Ensinar é, sobretudo, divertido, quando tudo corre excelentemente bem numa aula e vemos que os alunos estiveram entusiasmados, o que não é o pão nosso de cada dia e, nunca é garantido, por muito bem que se prepare as aulas.

 

* Obriga-nos a ter uma atitude positiva e a reavaliar constantemente o que fazemos e como o fazemos.

 

* Praticamente todos os anos fazemos amigos entre os alunos.

 

* Até os alunos que não gostaram de nós nos ajudam: mantêm-nos os pés na terra.

 

* Quando as aulas correm bem é como se aquela sala de aula fosse a totalidade do Universo e enquanto estamos ali tudo faz sentido, mesmo o que não faz sentido e, tudo podemos.

 

* Ensinar é o contrário de aborrecimento. Não há dois dias iguais, apesar de haver rotinas e padrões.

 

* A maioria dos miúdos quer muito acertar na vida e não sabe como e podemos ajudar alguma coisa, ser a oportunidade que precisam.

 

* É claro que poder passar parte do dia mergulhada na Filosofia é meio caminho andado para gostar de dar aulas. E como a Filosofia que se faz neste nível é básica, estamos sempre numa actividade de discussão de problemas fundamentais.

 

 

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publicado às 18:40

 

Chumbo de alunos não traz melhorias no desempenho futuro

Em Portugal há uma maior propensão para reter os rapazes, nacionais ou descentes de outros países de língua portuguesa, assim como os alunos com mães com nível de educação inferior, sublinham ainda os investigadores.

 

 

Quando se diz que há uma 'maior propensão para reter os rapazes e os alunos com mães de educação inferior dá-se a entender que há um preconceito, por parte dos professores, que são quem os retém, contra os alunos que são rapazes e contra os alunos que são filhos de mães com pouca instrução. Neste caso, procura-se alterar a acção dos professores, como por exemplo, mandar que passem os alunos, nomeadamente os destes dois grupos.

É muito diferente de dizer que os alunos cujas mães têm menos instrução têm tendência a chumbar mais que os outros e que os rapazes chumbam, em geral, mais que as raparigas. Neste caso, procura-se que a escola compense os alunos pela ausência de um contexto familiar academicamente rico e procura-se saber que tipo de vida, hábitos de estudo, educação, etc., os rapazes têm que os leva a chumbar mais.

Cada uma das maneiras de problematizar a questão orienta o tipo de solução que se tenta encontrar.

 

Também o título da notícia problematiza a questão de um ponto de vista económico, de modo que a solução, a ser encontrada a partir desta maneira de pôr o problema, será uma solução económica: passar os alunos por decreto.

Não estou a dizer que mandar passar os alunos é bom ou mau, estou apenas a dizer que, ao problematizar-se a questão deste modo, define-se imediatamente um campo de actuação que exclui outras possibilidades de solução, próprias de outras problematizações diferentes, mais abrangentes. E, sabendo disto, é importante considerar qual o tipo de problematização que guia a acção para a melhor solução do problema, entendendo por melhor, a mais duradoura e vantajosa para os alunos.

 

Por exemplo, podia pôr-se a questão de outro modo: será que não reter os alunos melhora o seu desempenho futuro? Ou também não melhora? E será que afecta negativamente outros das turmas para onde vão que não estavam nessa situação? É que se não melhora, então passá-los só adia o problema e talvez seja pior adiar o problema para uma altura (dali a dois ou três anos) em que ele já não tem recuperação possível.

Continuando o exemplo, que é uma mera hipótese de trabalho: um aluno vai passando, sempre com negativa a Matemática e chega ao exame do 9º ano e tira 15% no exame (isto é vulgar acontecer) mas passa porque a nota de exame conta 30%. No 10º ano escolhe um curso de ciências que tem Matemática como disciplina específica mais importante (três anos com exame obrigatório no 12º ano). Este aluno, numa turma de 30 ou mais, perde-se completamente. Não tem conhecimentos nem disciplina para acompanhar os trabalhos nem o professor pode parar a aula para dar-lhe explicações. Até pode ir passando, para continuar com a turma, até ao 12º ano mas, depois, fica ali encalhado a chumbar nos exames até ir-se embora com o seundário por acabar. Não sei quantos são os que fazem este percurso mas são, de certeza, mais do que um quarto do total e, estou a ser parcimoniosa. Se forem vários assim numa turma, vamos dizer 8 ou 10 (o que é vulgar), a não ser que os outros 20 sejam todos bons (o que é invulgar), arrastam os medianos, os que foram passando com dificuldade mas sem favor, para baixo, porque grande parte da aula é concentrada nas dificuldades destes alunos que atrasam toda a aula e baixam consideravelmente o nível da turma. É preciso perceber que numa aula de 90 minutos o professor tem 3 minutos para cada aluno e que todos que damos aulas sabemos que o nível da turma tem enorme influência no rendimento final. (Não por acaso, os professores de estatuto especial nas escolas (ex-titulares e amigos especiais dos chefes) só trabalham com as turmas onde se juntaram os alunos que vêm com boas médias porque é muito difícil trabalhar com as outras [afectam a motivação, o cansaço, obrigam a um grande esforço e multiplicidade de metodologias, de saber resolver e gerir conflitos, etc.] que são turmas problemáticas e não estão para isso sendo que muitos nem sabem fazê-lo.)

Nesta hipótese, os alunos terem passado sem conhecimentos, leva a que outros alunos, por efeito de dinâmica das turmas sejam arrastados também para um baixo rendimento. Ora, isso nunca é considerado nestes cálculos económicos.

 

Então talvez, nesta hipótese, em vez de passarem os alunos que não têm conhecimentos, se adoptem outras soluções, como por exemplo: ter as turmas mais pequenas para que logo no 5º e 6º ano (ou até antes) os professores possam detectar os problemas e resolvê-los atempadamente; ter professores que dão apoio a esses alunos, não como um extra ao trabalho do professor, como agora acontece, mas como actividade lectiva que é; mudar o programa de Matemática (que está feito no pressuposto, dizem-me os colegas, que todos os alunos hão-de ir para a universidade para um curso que tem Matemática, quando esses são uma pequena minoria [nunca percebi porque é que quem vai para cursos de saúde tem que ter Matemática e, logo como disciplina principal, em vez da Biologia ou a Química] que escolhe engenharias ou económicas) de modo que a formação geral seja mais virada para o que é necessário para a vida ou para um curso prático.

 

Outras soluções haverá. Não estou aqui a esgotar soluções, ou sequer a resolver o problema dos chumbos num post, como é evidente, estou apenas a mostrar que o modo como se problematiza uma questão, neste caso a questão das retenções, afecta o tipo, na quantidade e qualidade, de soluções que se podem encontrar e, o que me parece, é que problematizam sempre as questões da educação do ponto de vista exclusivamente económico, muito simplista, como se as questões não fossem complexas, de modo que, por essa razão, deixam sempre de fora muitas possíveis soluções e acabam sempre com certos clichés como, 'autonomia' e 'flexibilidade' e outras coisas idênticas. Como é que a autonomia (para passar alunos ou elaborar tumas) ou, a flexibilidade (para dar mais horas à Matemática?... ou para fazer experiênciazinhas meio à toa...?) por si só, resolvem problemas complexos, à laia de milagre, que mexem com imensas variáveis?

 

Para mim, esta maneira de problematizar as questões da educação, de um ponto de vista meramente económico, é a pior de todas, porque não resolve nenhum problema educativo, só económico. Todas as soluções de uma problematização pedagógica ficam logo excluídas à partida.

Mas se o fito é apenas poupar dinheiro, façam o que têm a fazer, mas sem demagogias, sff.

 

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publicado às 14:34

 

 

Um colega que fez, com outros, uma visita de estudo fora do país, de vários dias, com alunos de várias turmas do 11º e 12º anos contava-me há tempos que, tendo o grupo chegado, no regresso, às quatro da manhã ao aeroporto, os pais, à medida que iam chegando e recolhendo os filhos, comportaram-se como se os professores não estivessem presentes: nem boa noite, nem obrigada, nem uma pergunta qualquer de circunstância ou cortesia, do género, 'então correu tudo bem'... nada, népias, nicles, niente. Dizia-me ele, 'foi como se fôssemos invisíveis'. Chegavam, levavam os filhos sem se aproximar, sem nos olhar sequer... uma mãe que chegou muito atrasada de modo que já só lá estava o filho mais os professores, que a esperavam, não podendo ignorá-los, disse 'boa noite', agarrou no filho e andor.

Fiquei chocada a ouvir isto. Quer dizer, eu sei que as pessoas não fazem ideia do que é organizar uma visita de estudo de vários dias, fora do país, com actividades a preencher os dias, com intervenções pedagógicas preparadas para cada actividade e tudo pensado para prevenir que alguma coisa possa correr mal, sendo que se corre, mal, a responsabilidade é dos professores. Também não sabem que os professores em visita de estudo não têm direito a subsídio de almoço (o ministério deve achar que não é trabalho) e que muitas vezes têm que repôr as aulas como se não estivessem em trabalho. (É um sacrifício que eu, por exemplo, não faço. Faço visitas de estudo de um dia: ir de manhã, vir à tarde ou à noite. Mesmo assim fico sem o subsídio de refeição desse dia como se não precisasse de comer.) Eu sei que não sabem, nem pensam nisso mas, mesmo assim, acho uma falta de consideração e de educação tremendas. 

De modo que... às vezes os filhos são como são porque os pais são como são.

 

 

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publicado às 17:12

 

 

Tenho uma turma do 10º ano de que gosto muito. Um dos rapazes está pela 3ª vez no 10º ano. Os outros professores conheciam-no de outros anos como um aluno desleixado mas eu, que nunca o tinha visto, só o conheço como um aluno com dificuldades (não é português e não domina bem a língua) mas muito empenhado, cheio de vontade de acertar e de progredir de ano. Na última aula pus a turma a fazer um pequeno trabalho e ele acabou mais cedo e perguntou-me se podia pôr-se a ouvir música. Disse-lhe que não porque a aula não é um sítio de alienação. Depois pensei melhor porque o rapaz precisa de toda a motivação e mais alguma e perguntei-lhe que música ia ouvir. Ele disse-me rap. Disse-lhe que o rap tem umas letras muito ofensivas para as mulheres. Ele disse-me que não ouve esse rap. Ouve rap russo que 'faz muito sentido'. Então disse-lhe, 'também ouço russos no meu mp3. Não é rap mas são compositores russos. 'Ahh diz ele, essa música não gosto.' Perguntei-lhe se alguma vez tinha ouvido. Disse que não. Então fiz-lhe uma proposta: 'se aprender a gostar da minha música eu aprendo a gostar da sua'. Riu-se. 'Mas a professora percebe russo?'. Não, mas arranjo maneira de saber. Tenho um ex-aluno ucraniano de quem sou amiga e se for preciso ele diz-me. A grande vantagem é que a minha música não precisa de tradução. Só tem que ouvi-la. Pense nisso. Aliás, até podia escolher umas músicas para eu ouvir já que é especialista nisso e eu de rap russo não percebo nada. Se aprender a gostar da minha música, depois dou-lhe controlo de uns minutos em cada aula para poder ouvir a sua música. Ficou a matutar.

Não sei o que ele vai responder mas como quero que o miúdo diversifique os interesses rapidamente, daqui até à próxima aula vou aprender duas ou três músicas de rap russo para o provocar e incentivar a uma pequena mudança mental. Vamos ver. Entretanto, tenho que procurar rap russo, pôr no mp3 e ouvir até saber a letra de cor.

 

 

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publicado às 20:36


É isto...

por beatriz j a, em 28.04.17

 

 

Há pouco tempo, num inquérito feito a professores, já não lembro por quem, mas recordo que tinha a ver com a indisciplina nas escolas, os resultados mostraram que a esmagadora maioria dos professores tem como prioridade conseguir que os alunos gostem de si. Para que isso aconteça, têm que não incomodá-los muito, ser porreiraços, compinchas, etc. É claro que sacrificam o interesse dos alunos.

 

Uns fazem-no por ignorância. São aqueles que dizem, 'epá, que interessa, mais trabalho menos trabalho, ou que eles não façam isto ou aquilo ou que tenham cometido fraudes... isto aqui não é a tropa, o que importa é sermos amigos e estarmos bem e sobretudo que eles estejam felizes e tal'. Parece-me isto uma enorme falta de respeito pelos alunos. É não perceber que são pessoas, que têm potencialidades que nunca vão concretizar se não os incomodarmos um bocado de maneira a que eles as descubram e se superem. Estes são geralmente os que enchem a boca com palavras como democracia, igualdade, vão para as manifestações gritar por direitos, etc., mas não percebem que não fazem a sua parte para que os miúdos, de facto, tenham na escola uma oportunidade de superar o mau lugar de partida que a vida lhes reservou. São a maioria, como dizia os resultados do tal inquérito, querem é que os alunos gostem deles. 

 

Depois há os que o fazem por cobardia. São aqueles que dizem, 'epá, lixa-te nisso, ninguém te paga para isso. Já viste as condições em que trabalhamos? Vais arranjar chatices... para quê? Se o indivíduo/a não quer fazer ou quer desistir, deixa-o ir. Cada um sabe de si'. Ora, é evidente que os miúdos, mesmo aos 18 anos, muitas vezes não sabem o que é melhor, querem é o mais fácil ou querem fugir dos problemas. Os cobardes são especialistas em fazer tudo segundo as regras sem fazer nada que incomode alguma vez alguém, pois o seu interesse é estar bem com todos ao mesmo tempo, não ter chatices e manter os privilégios intactos.

 

O problema é que uma pessoa não anda ali só para despejar matéria ou para cumprir calendário e ganhar uma porcaria de salário não é justificação para tudo e mais alguma coisa. Há alunos que precisam mesmo de ser incomodados, precisam de um empurrão para evoluir, sem o qual saem da escola mais ou menos como entraram, com os mesmos problemas e dificuldades. Uma pessoa vai desenvolvendo um trabalho que por um lado constrói confiança mas por outro força a dar o passo em frente. E depois vem alguém e deixa-os fugir.

Dantes, na escola pré-Rodrigues, os professores colaboravam uns com os outros para os alunos superarem dificuldades, mas na escola pós-Rodrigues, isso só existe por acaso, se porventura, num sítio, coincidirem várias pessoas que não tenham uma visão cobarde ou miserabilista dos alunos e da educação. É rara essa coincidência. A colaboração foi substituída pela interferência. Toda a gente vê o seu cargo como uma oportunidade de exercer poder e interferir. Espírito colaborativo e respeito são miragens de outra época. 

O que mais me chateia nisto tudo é ser tão estúpida que me esqueço completamente que estamos na era pós-Rodrigues, que não posso contar que haja respeito, interesse pelos alunos e colaboração generalizados e que é preciso sempre tomar precauções para evitar estragos. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!

 

 

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publicado às 14:40


Coisas que revoltam na educação

por beatriz j a, em 27.04.17

 

 

Ontem e hoje tive reuniões de pais. As três DTs têm uma maioria de alunos cujos pais têm em média o 9º ano. Alguns têm mais mas são poucos. As turmas são fracas, os pais não têm recursos, nem económicos, nem intelectuais para ajudar os filhos como eles precisavam. É aí que devia entrar a escola pública, não é verdade? Pois devia... mas não entra. Todas as três turmas têm aulas misturados com outras turmas nas diferentes disciplinas: numa podem estar com a turma x, na outra com a y e na outra foram divididos e metade tem aulas com a x e a outra metade com a z. Quer dizer, a turma em si só existe como entidade teórica no livro de ponto (excepto em algumas disciplinas específicas) ou nem isso e está repartida por dois livros de ponto com letras diferentes numa baralhada total... isto tudo para que as turmas estejam no máximo de alunos possível. O resultado é os professores trabalharem com turmas que na realidade são conjuntos de alunos de duas, três ou quatro turmas diferentes somados em número de 30 ou mais dentro da sala. Claro que é impossível fazer um trabalho diferenciado com estes alunos fracos e cheios de dificuldades, em turmas descaracterizadas, sem identidade, enormes, sem dinâmica própria e, muitas vezes, como acontece em duas das minhas DTs, francamente antagónicas.

 

Hoje os pais de uma das turmas perguntavam-me, 'mas os professores não chamam a atenção da Direcção, não dizem que os alunos assim não conseguem?'. É claro que chamamos a atenção e vai escrito em todas as actas das reuniões mas ninguém quer saber. O Ministério não quer saber de investir na educação, quer é reduzir custos e a inspeção aprova estas barbaridades todas e ainda outras... [como o meu e outros horários, por exemplo...]. E não me venham dizer que é uma questão de dinheiro porque há dinheiro aos milhares de milhão para todos os calotes de todos os bancos, ano após ano...

 

É difícil vermos estas pessoas, que trabalham em fábricas, em supermercados, em restaurantes terem já os filhos a trabalhar metade do dia para pagarem as contas da casa [uma das alunas do 12º ano que trabalha na caixa de um hipermercado disse-me que agora foram proibidas de sentar-se porque isso reduz a produtividade de modo que estão horas de pé a atender clientes, sem pausas... ] e irem aos poucos desistindo da ideia de os verem ter uma vida melhor que a deles porque a escola pública se demite de investir nos alunos e só trabalha para inglês ver: primeiro tratam-se assim os miúdos e a maioria vai abandonando os estudos e chumbando por falta de condições reais de igualdade de oportunidades e depois vem o ministro e manda acabar com os chumbos para fingir que todos têm sucesso, que é uma maneira de tapar as rachas da parede com pintura bilhante. É revoltante.

 

 

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publicado às 20:56


Coisas mesmo simpáticas

por beatriz j a, em 10.03.17

 

 

De repente uma aluna do 3º ano em que dei aulas, de uma turma de quimiotecnia, na Sebastião da Gama (onde é que isso já vai) descobriu-me no FB e disse-me que tentava saber de mim já há bastante tempo e depois disse-me coisas extremamente simpáticas. Já ganhei o dia 🙂

 

 

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publicado às 15:59

 

 

Ameaças obrigam a cancelar conferência de Jaime Nogueira Pinto  

Professor ia falar na Universidade Nova de Lisboa sobre o Brexit, Trump e Le Pen.

O CM sabe que a decisão foi tomada após a Associação de Estudantes apresentar uma moção contra "um evento associado a argumentos colonialistas, racistas e xenófobos" e apelar à Direção para não ceder a sala onde iria decorrer a conferência. A Associação de Estudante enviou ainda "uma nota de repúdio a esta actividade e a todas as suas implicações ideológicas".

 

A censura é própria das ditaduras e dos regimes autoritários. Colonialista é a atitude de impedir uma pessoa de argumentar o seu ponto de vista por ser contrário ao nosso. Este triste acontecimento que esperamos seja anomalia é mais um sintoma da decadência do ensino das Humanidades. 

A argumentação é própria de um Estado democrático e argumentar significa conceder ao outro o direito de nos contestar, criticar ou negar, o que por sua vez implica respeito pela pessoa que é o outro e pela sua liberdade de pensar e construir os seus quadros de referência teóricos e práticos. Recusar argumentar argumentos e em vez disso calar as pessoas é próprio de regimes autoritários, ditatoriais. Que os alunos universitários estejam do lado do autoritarismo contra a liberdade de expressão é inédito e surpreendente... ou talvez não, tendo em conta que estes alunos que andam agora na universidade já se desenvolveram em escolas (básicas e secundárias) onde o exemplo que é dado é cada vez mais exactamente este de se calarem as vozes críticas à força... E no país também: ainda ontem o senhor Costa tentou menorizar e apoucar a oposição, não foi?

Seja como for é um sinal muito preocupante da decadência da qualidade da experiência universitária. Qualquer dia resume-se às praxes e pouco mais.

 

 

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publicado às 19:51


Do baú das memórias :)

por beatriz j a, em 08.09.16

 

 

O FB hoje perguntou-me se me lembrava disto? Claro que lembro. Foi lá para 2008 ou 2009, numa visita de estudo que fizémos à Faculdade de Ciências da Rua da Escola Politécnica (adorei o museu de Geologia) e a uma exposição na Gulbenkian sobre Darwin. Fiquei tão fascinada com o museu de Geologia que durante um mês massacrei toda a gente à minha volta com as pedras e a maquete das minas da Panasqueira e o sistema de oxigenação das minas e o diabo a nove.  ahahahah

Gostei imenso desta visita de estudo. Eu estou ali à frente, sentada no chão.

 

 

 

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publicado às 08:02

 

 

"Os professores são os únicos adultos que encaram os jovens", afirma Mario Sergio Cortella 

 

Pioneiro: E além da má remuneração, ocorre ainda a falta de respeito com os professores...
Cortella: Isso acontece tanto porque nós, professores, somos os únicos adultos que encaram o jovem hoje. As crianças tem autonomia, fazem a comida sozinha usando o micro-ondas, não falam mais com os pais. Os pais são reféns das crianças: ela decide onde vai almoçar, o que a família assistirá na televisão. A primeira pessoa que ela encontra no dia que pergunta: 'onde está teu caderno? e o uniforme? pode desligar o celular?', é o professor. 

 

 

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publicado às 14:55

 

 

É por isto: dinheiro. De facto, enquanto os professores querem a redução a pensar nos alunos os governos, na sua enorme incompetência de lidarem com a dívida pública, vão às escolas poupar dinheiro, porque... é fácil e só sabem fazer o fácil.

 

De forma a que sejam reunidos o máximo de dados sobre o tema antes que seja tomada uma decisão final, o Conselho Nacional de Educação divulgou os custos inerentes à redução de alunos por turma. Assim, tendo por base o custo médio anual de um docente contratado e de um assistente operacional, o encargo financeiro direto resultante seria superior a 750 milhões de euros.

 

 

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publicado às 05:44

 

 

As coisas andam assim... é a lei do menor esforço. Uma escola que ensina o desrespeito e a violência não é um lugar de educação. Educar é difícil e dá trabalho. Abusar do poder é fácil. É triste...

 

 

Video Captures School Officer Slapping a Student in Baltimore 

see more https://revolution-news.com/video-captures-school-officer-…/

 

 

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publicado às 12:52


dos alunos. coisas muito boas 😊

por beatriz j a, em 02.03.16

 

 

 

Hoje uma das turmas do 10º ano disse-me que estava a gostar da matéria, que no ano passado tinham-lhes dito que a Filosofia era uma coisa horrível e muito chata mas que afinal até nem era e estavam a achar piada 👍 😊

Na aula passada fartámos de rir a propósito de exemplos acerca da ética do Stuart Mill e hoje perguntaram-me se termos estado tão divertidos na outra aula era uma falta de respeito [para com a seriedade dos assuntos, querem eles dizer] 😊 Isto põe-me bem disposta, pelo menos, até ao fim da semana. 

 

 

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publicado às 16:54


Professor sofre...

por beatriz j a, em 08.02.16

 

 

 

directamente do FB 

 

 

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publicado às 18:30


Ai, ai, ai

por beatriz j a, em 16.12.15

 

 

 

Amanhã vou levar um raspanete duma turma...

 

 

 

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publicado às 18:14


Gastos públicos, por aluno, em cada país

por beatriz j a, em 02.12.15

 

 

"The lack of a quality education is the most powerful form of social exclusion", said OECD Secretary-General Angel Gurría launching Education at a Glance 2015

 

Um gráfico vale o que vale, quer dizer, há aqui dados como o PIB per capita que interessava correlacionar com estes números. No entanto, sabendo nós, mais ou menos, o lugar relativo do nosso país e de outros em termos de riqueza, isto diz qualquer coisa a importância que os países dão à educação. Em geral, segundo o relatório, os gastos públicos com a educação têm vindo a baixar desde 2010.

Em Portugal tudo piorou (ver relatório http://bit.ly/1TbO60m  #OECDEAG)... as consequências das políticas ceifeiras do Crato... as turmas a abarrotar de alunos, a diminuição de apoios, de equipas escolares, etc., que foi tanta coisa que nem dá para dizer tudo.

 

 

 

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publicado às 13:25


A chatice dos factos

por beatriz j a, em 20.10.15

 

 

 

Escolas caíram para menos de metade desde 2000

Relatório do Governo mostra também queda de docentes muito mais acentuada do que a dos alunos

 

 

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publicado às 06:32

 

 

 

Bolsas de mérito estão por pagar Ministério da Educação deve 6 milhões de euros a alunos do Ensino Superior relativos a 2400 bolsas de mérito. Último ano letivo pago foi 2011/12.


 

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publicado às 14:42


Pois...

por beatriz j a, em 26.09.15

 

 

6 mil milhões [mm] para o BPN mais 4mm para o BESgate mais 2mm ou 3mm para as sociedades de advogados consultores, mais 6mm para as PPP... mais 6mm para tapar buracos das empresas públicas mal geridas.... um desperdício de dinheiros mal gastos... depois não há dinheiro para o essencial.

 

Cortes no Erasmus deixam centenas de estudantes sem apoio

Problema afecta a Universidade de Lisboa, que está a comunicar aos estudantes que previam sair no 2.º semestre que não tem condições para apoiá-los. Restantes instituições conseguiram contornar a situação.

 

 

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publicado às 10:36


Escolas estão a recusar alunos mais novos

por beatriz j a, em 14.09.15

 

 

 

Escolas estão a recusar alunos mais novos

 

... para não ter que fzer turmas novas que impliquem ter que contratar professores, pois como todos sabemos, a ordem é despejar e não o inverso.

 

 

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publicado às 06:21

g.a


3-8-12



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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