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Jovem de 17 anos que morreu com sarampo não estava vacinada

 

Essa é a questão que importa perceber. Não é que os médicos tenham deixado de aconselhar as pessoas a vacinar as crianças, é que a ciência, em geral, tem vindo a perder credibilidade junto da opinião pública. A medicina, por exemplo, devido à excessiva mercantilização da indústria farmacêutica. Até há pouco tempo, a investigação científica era sujeita a critérios apertados e controlados: as pesquisas eram corroboradas por entidades externas, faziam-se ensaios gradativos, primeiro em animais e só depois em pessoas e sempre tudo controlado. Hoje em dia, com a pressa que as farmacêuticas têm em ter lucro com a venda de medicamentos, tudo é apressado e sem o rigor que costumava ter. Como consequência, todos os anos se descobrem grandes fraudes nas investigações científicas que obrigam à falsificação de resultados ou 'descobre-se' que a última 'descoberta' foi mal descobrida, perdoe-se-me a calinada... quem acompanha as discussões das editoras científicas de renome sobre as fraudes que lá se publicam por falta de revisores científicos que façam o seu trabalho, sabe como os padrões de qualidade que garantiam rigor baixaram drasticamente. À conta disso, aquilo que ontem era o mal radical, hoje é salvação da humanidade... todos os dias a ciência desdiz o que ontem era o dogma. Este estado de coisas chega à pessoa comum, que somos nós, através de grandes contradições nas informações e tratamentos, o que por sua vez leva as pessoas a perderem confiança na eficácia da medicina e acharem que a sua opinião é tão válida como a do cientista ou do médico. É parecido ao que se passa na educação: nós dizemos aos pais o que se passa com os filhos e qual é a 'terapia' necessária e os pais muitas vezes fazem o oposto porque acham que sabem tanto como nós acerca do assunto.

 

Aqui há meia dúzia de anos torci um pé. Como sou idiota nestas coisas e não ligo nada, achei que pôr o pé para cima durante uns dias era suficiente... não foi... fui 3 ou 4 vezes ao hospital e de cada vez apanhei um médico diferente que me dizia o oposto do que o anterior me tinha dito: se um me dizia para não pôr o pé no chão o outro dizia que tinha que forçar o pé a andar; um dizia para usar uma meia elástica, o outro punha as mãos à cabeça quando me via com a meia elástica, um ralhou comigo por eu não ter posto uma baixa médica, outro disse-me que não podia ficar parada... a certa altura ia lá para me receitarem anti-inflamatórios e analgésicos porque andava cheia de dores e num enorme stress, mas já não ligava nenhuma ao que me diziam porque nenhum me fazia melhorar um centímetro que fosse.

Por acaso tive sorte porque um dia que lá fui apanhei um daqueles médicos que só pela maneira como tocam e olham para as coisas mais as explicações que dão fazem-nos logo ver que estamos diante dum profissional de categoria superior. Resolveu-me o problema. Mas enquanto isso não aconteceu, a sensação que eu tinha era que os indivíduos que me viam não sabiam muito mais que eu acerca de como tratar a minha entorse.

Acho que é por isso que os pais deixaram de vacinar os filhos: porque a ciência em geral perdeu credibilidade, isso reflete-se nos que a praticam e afecta a percepção do utente sobre a eficácia dos tratamentos.

 

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publicado às 13:50

g.a


3-8-12



2 comentários

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De nuno a 20.04.2017 às 20:10

Olá. em todas as doenças, mesmo nas mais simples, é preciso encontrar um médico humano, que não tenha nojo de tocar. No caso da entorse da B e de uma ou outra em que li o relato em blogues, num blog que li há anos, a queixosa dizia que o médico nem sequer tocou no pé dela, para ver o grau da lesão. Ela na altura dizia que um médico experiente e humano, tem de tocar, de apalpar o pé para ajudar o paciente. E a B, sente bem o seu pé, hoje em dia? beijos e bom apetite para o jantar. bom trabalho
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De beatriz j a a 20.04.2017 às 20:32

Hoje não está bem mas foi da sessão que apanhou. o meu jantar hoje é frugal. bom descanso :)

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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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