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Pais exigem revolução no modelo de ensino

Descalabro nos resultados das provas de aferição leva encarregados de educação a pedir mudanças urgentes.

O responsável da Confap afirma que "o modelo do autocarro na sala de aula, com todos a olhar para as costas dos colegas, já não faz sentido".

 

Nuno Crato desvaloriza resultados
O ex-ministro da Educação, Nuno Crato, desvalorizou ontem os resultados negativos das provas de aferição. "As provas de aferição não têm o valor dos exames e das provas finais e, portanto, é muito difícil saber o que elas traduzem sobre a realidade. Estas provas nunca são encaradas com o mesmo empenho pelos alunos", afirmou Nuno Crato ao CM, recusando comentar em detalhe as fragilidades detetadas.

O ex-ministro comentou declarações do secretário de Estado da Educação, João Costa, que afirmou que os resultados mostram que o maior enfoque na Matemática promovido por Crato não produziu resultados.

 

Todos os ministros de educação culpam os anteriores do que vai mal e se servem deles como pretexto para impor a sua revoluçãozinha pessoal. A confederação de Pais também quer revolução e já adaptou a linguagem aos conceitos da moda: se aqui há um par de anos pedia um novo paradigma, palavra que estava na moda, agora fala em pensamento crítico (como se isso se fizesse na ausência de conteúdo) e turmas autocarro, termo que entrou na moda e se tornou bandeira de quase todos os males. (este assunto da disposição das mesas é um falso assunto: na verdade, a disposição das mesas nesta configuração chamada autocarro, favorece a concentração e, por isso, todo o trabalho que a requer. A disposição das mesas em círculo, por exemplo, favorece o diálogo e, por isso, todo o trabalho que o requer; muitos professores mudam a disposição das mesas consoante o tipo de trabalho que estão a desenvolver com os alunos. Não há uma maneira única, certa ou errada, de dispôr as mesas)  

Entretanto, ninguém faz o mais importante e, de revolução em revolução, vamos induzindo o stress no próprio sistema e nos seus actores, sobrecarregados com tanto ruído. A educação é um sistema que precisa de estabilidade e não podemos estar constantemente a abalar os seus fundamentos sem que isso afecte a solidez da construção.

Já perdi a conta ao número de reformas e revoluções a que assisti desde que dou aulas. A certa altura já não ligamos a estas revoluções ideológicas e políticas que mudam a cada legislatura e arranjamos sistemas próprios para podermos fazer bem o nosso trabalho, apesar destas experimentações constantes que o abalam.

As revoluções, como todos sabemos são processos violentos de desagregação que podem ter custos muito elevados. Veja-se o custo que a revolução da Rodrigues teve... ainda estamos a sofrer os danos negativos desse impacto.

Devia ser interdito aos ministros fazer revoluções. São assuntos demasiado sérios para se deixar ao sabor de pessoas que geralmente são escolhidas por questões de amizade e de lealdade política e raramente pela sua competência ou sequer bom senso, no sentido cartesiano do termo. Mas não, dizem-lhes que o sistema é o seu playground e podem brincar à vontade. Depois, muitos deles leram aquelas frases que dizem que é preciso pensar grande e fazer grande e desatam a fazer 'grandes grandiosidades' revolucionárias em moda... quando a moda muda, eles mudam com ela, impõem a moda a seguir e cá estamos nós para resolver os emaranhados e o lixo deixados pelas sucessivas modas. 

Evoluir não é fazer experiências de três em três ou quatro em quatro anos.

 

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publicado às 07:21

g.a


3-8-12



7 comentários

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De Helena a 06.10.2017 às 10:53

1000 % de acordo..... (no mínimo) =)
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De Anónimo a 06.10.2017 às 16:45

Os políticos que nos têm governado, os que nos governam e os que aí virão, são cócó. É com este termo que os papazinhos, desde há 40 anos a esta parte, educam os espertíssimos e inteligentíssimos rebentos. Exemplo. O papá ensina o fedelho a responder à pergunta: o benfica o que é? E a resposta do fedelhinho é: é cócó. Se a pergunta introduzir outro clube, porto, sporting, a resposta tem que ser sempre a mesma. É cócó. De modo que, como os anteriores ministros, bem como os actuais ministros, já assim foram educados, temos que todos são cócó. Por isso a educação é uma grande cagada. A conclusão aplica-se à saúde, à justiça, enfim, a tudo. Cada vez, dizem, o país está mais endividado, que já vai em mais de duzentos e cinquenta mil milhões de euros (250.000.000.000,00 €). Podem dizer o que quiserem esses monhés e centinos todos juntos, de que o país vai no bom sentido. Para mim, está na merda.
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De Jorge a 06.10.2017 às 21:04

Um dos problemas também se chama "aulas de substituição". Onde leciono, existem essas "aulas". Pergunto: quando é que os alunos têm tempo para brincar?
Vergonha de pais.
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De beatriz j a a 06.10.2017 às 21:08

Os pais preocupam-se. É normal. Querem que os filhos tenham melhores resultados. Não são especialistas em educação escolar (embora muitos achem que são porque também são educadores) de modo que olham para o ministério e absorvem todas as teorias da última moda pedagógica que atiram cá para fora. Depois, como não sabem ao certo o que 'exigir', exigem as pseudo-pedagogias da moda.
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De Ventania a 07.10.2017 às 15:57

A educação tem de ser assumida por todos como uma prioridade, dado o seu carácter absolutamente essencial na formação cívica, cultural e intelectual dos povos. E devia haver um mecanismo de consenso que permitisse o compromisso de mudar a fundo o sistema de ensino (que tem tantas falhas) a médio e longo prazo. As reformas educativas a cada ciclo eleitoral só servem como factor disruptivo, de intermitência e de compromisso sério da orientação do ensino. Tive a sorte ou o azar de passar por várias reformas educativas ao longo do meu percurso em todas as etapas do ensino, desde os anos '80 à presente década, no papel de discente e de docente também. Sobrevivi para atestar que as mudanças não foram significativas ao ponto de melhorar substancialmente a qualidade do ensino mas foram mais que suficientes para introduzir imensos factores de pressão e de ansiedade em todas (repito, TODAS) as fases do percurso.
A minha opinião pessoal é que a base do actual sistema de ensino está filosoficamente enganada, dada a ênfase que se dá à "aquisição" de conhecimentos em detrimento da capacidade de dar resposta a desafios através do raciocínio. Em suma, o ensino deveria estar orientado principalmente para a difícil mas útil tarefa de "ensinar a aprender" e não gratificar a memória de factos sem capacidade de os relacionar.
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De beatriz j a a 07.10.2017 às 16:21

O problema é que hoje em dia querem tudo e o seu contrário. Querem que os alunos sejam treinados para passar exames com programas gigantescos e querem, ao mesmo tempo, que os alunos sejam educados para pensar autónoma e criticamente, o que requer outro tipo de ensino que não se coaduna com ser treinado para fazer exames. Depois, a Pedagogia tem tantas teorias opostas que é cada cabeça, sua sentença.

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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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