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sobre a conferência 'o valor de educar'

por beatriz j a, em 13.10.10

 

 

 

A conferência de ontem foi interessante. O Savater, claro, foi de todos o que pôs as questões da educação numa perspectiva mais ampla, filosófica. Falou da educação como instrumento para 'romper as fatalidades'. Lembrou que a educação tem um efeito a longo prazo, 30 ou 40 anos e que nenhum político é capaz de ver as as coisas com esse alcance, donde o trabalho de insistir na educação deve ser da sociedade porque o político nunca o fará. Deu o exemplo da eleição de Obama como um 'romper com a fatalidade', neste caso a fatalidade da vida dos negros americanos até aos anos 60, que Lyndon Johnson mudou quando acabou com a discriminação na educação. Como esse trabalho levou 40 anos a fazer; isto é, os que hoje elegeram o Obama são os que nos anos 60 e 70 se sentaram lado a lado, pela primeira vez nas escolas e foram educados sem discriminação. A educação faz uma revolução silenciosa, daí que seja difícil de convencer os políticos dos seus méritos. A ignorância e a miséria são para ele os grandes obstáculos ao desenvolvimento das sociedades democráticas.

Não é que ele tenha dito algo que não soubesse, mas o modo com organiza e reflecte nos problemas abre caminhos de solução.

O Castilho fez o discurso contra a pseudo-pedagogia com muita inteligência e humor. Divertiu-se a aplicar a pedagogia do 'aprender a aprender' a alguém que quisesse aprender a nadar...o problema destas pedagogias é Europeu. Também na Suécia há um grande movimento de luta contra estas reformas que estão a destruir o ensino por todo o lado.

Confesso que o Nuno Crato me desiludiu. Um discurso muito próximo do concreto.

No fim, as perguntas do auditório à mesa, achei-as sem interesse, excepto duas, com grandes confusões de conceitos ( eram quase todos professores, do básico ao ensino universitário, e tiveram dificuldade em objectivar as perguntas e os temas...) e muita descortesia em alguns casos. Uma professora de Português levantou o problema do ensino das Humanidades o que foi muito pertinente, porque essa é a uma das consequências fundamentais destas estúpidas pedagogias ligadas a uma visão da sociedade como imperativo de produtividade económica imediata. Citou a carta da educação da UE que é assustadora.

Sobretudo, concordo com o Savater quando ele diz que ninguém gosta de ser chamado a prestar serviço neste tempo, que todos preferiríamos trabalhar em tempos menos difíceis, mas que a verdade é que não vai cair do céu nenhuma solução divina e que temos que ser nós a resolver os problemas.

 

 

Excerto do texto sobre os objectivos da Educação na Europa. Os princípios da estúpida pseudo-pedagogia estão lá todos e as Humanidades desapareceram dos objectivos da educação por não serem entendidas como produtoras de riqueza. Fora substituídas por 'compet~encias de escrita'. Isto é gravíssimo!

SÍNTESE

Baseando-se nas contribuições dos Estados-Membros, a Comissão e o Conselho definiram diversos objectivos comuns para o futuro, bem como a forma pela qual os sistemas de educação e de formação deveriam contribuir para a realização do objectivo estratégico definido em Lisboa. Trata-se do primeiro documento que delineia, no quadro da União Europeia, uma abordagem global e coerente das políticas nacionais em matéria de educação.

O Conselho centrou a sua atenção sobre os três objectivos seguintes:

Objectivo 1: Aumentar a qualidade dos sistemas de educação e formação

A educação e a formação constituem um meio privilegiado de coesão social e cultural, bem como uma vantagem económica considerável, para o reforço da competitividade e do dinamismo na Europa. Importa, sobretudo, melhorar a qualidade da formação dos professores e dos formadores e consagrar um esforço especial à aquisição das competências básicas, que devem ser actualizadas a fim de corresponder à evolução da sociedade do conhecimento; trata-se igualmente de melhorar a aptidão dos cidadãos para a leitura, a escrita e a aritmética, nomeadamente no que diz respeito às tecnologias da informação e da comunicação, as competências transversais (por exemplo: aprender a aprender, trabalhar em equipa, etc.). O reforço da qualidade no equipamento dos estabelecimentos escolares e dos institutos de formação, a par da optimização na utilização dos recursos, é também uma prioridade, tal como a intensificação do recrutamento nos estudos técnicos e científicos, como as matemáticas e as ciências naturais, a fim de assegurar uma Europa competitiva na economia do futuro. Aumentar a qualidade dos sistemas de educação e de formação significa, por último, melhorar a adequação entre os recursos e as necessidades, permitindo aos estabelecimentos escolares realizar novas parcerias com o intuito de os ajudar no seu novo papel, mais diversificado do que outrora.

 

 

 

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publicado às 15:36

g.a


3-8-12




no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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