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Fala-se agora muito de charter schools. Como se vê aí nesse filmezinho elas são muito procuradas por pessoas de bairros carenciados ou problemáticos. Em suma, por quem não tem dinheiro para fugir à escola pública. Isto por que nos EUA começaram a destruição da escola pública muito antes de nós. Agora, quem quer estudar, ou tem dinheiro, ou endivida-se para a vida. Tal qual o que se está a fazer cá. As charter schools foram uma medida para sair do atoleiro. Como são muito procuradas, porque representam a possibilidade de ter uma boa educação sem pagar os olhos da cara têm de sortear quem entra. É um espectáculo deprimente ver milhares de pais e de crianças com um número na mão a rezarem pela sorte de serem chamados. A educação tornou-se numa questão de sorte.

Na prática estas escolas são escolas a quem é dada autonomia e dinheiro a quem são pedidos depois resultados porque se comprometem a pôr os alunos todos na faculdade.

A questão é que me incomoda é que nós já tivemos escolas autónomas, praticamente gratuitas e que estavam a caminho de se tornarem boas escolas, antes de as destruirem com reformas para alimentar políticas, cursos, observatórios, institutos, organismos estatais e estudos inúteis. Portanto, o que eu não percebo é o seguinte: se podemos dar autonomia a todas as escolas públicas e exigir delas resultados, porque é que havemos de restringir isso a umas tantas e fazer da educação uma questão de sorte?

É uma questão de mera vontade política e algumas das medidas nem sequer implicavam custos, pelo contrário: era só acabar com Direcções Regionais, Observatórios da tanga e carradas de Centros de Formação onde nada se aprende e só servem para alimentar formadores com cursos de pseudo-pedagogia e outras cenas do género que sugam milhões sem o menor préstimo e com grande prejuízo para a educação.

É claro que teriam de desistir de fazer da escola veículo de ideologias. Teriam de prescindir de Directores Subservientes. Cabe lá na cabeça de alguém nomear uma pessoa para um cargo e dar-lhe poder por anos a fio? Então não sabemos todos que o poder incontestável corrompe? Não temos diariamente o exemplo de Sócrates, Costas, Soares, Jardins e centenas de outros que se comportam como se o país fosse a sua coutada pessoal?

Eu acredito e sei que a escola pública pode cumprir com mérito aquilo para que foi criada tal como está consignado na Constituição da República. O que não sei é se os que se alçam ao poder têm estatura de estadistas para ver a necessidade de uma escola de qualidade acessível a todos, por direito e não por sorte.

Eu não sou contra o ensino privado. Longe disso. Se tivesse bastante dinheiro abria uma escola. Sei exactamente o tipo de escola, de ensino, de valores e de metas que adoptaria. Sei o tipo de professores que procurava, o tipo de organização, etc. Não sou nada contra o ensino privado. Mas não para substituir o dever que cabe ao Estado de facultar uma educação de qualidade com o fito de contribuir para a construção de um futuro onde a qualidade de vida não seja uma miragem, um sonho, uma fantasia, mas uma realidade alcançável.

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publicado às 20:37

g.a


3-8-12




no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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