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hipocrisias

por beatriz j a, em 28.08.10

 

 

100 cidades protestam contra apedrejamento de Ashtiani no Irão

Lisboa junta-se, esta tarde, aos protestos que se vão realizar em várias cidades do mundo contra o apedrejamento até a morte de Sakineh Ashtiani. Esta iraniana, mãe de dois filhos, está acusada de adultério e de cumplicidade na morte do marido e um tribunal iraniano sentenciou-a à morte, por lapidação. Ainda assim, Teerão diz que a aplicação da pena foi suspensa e que o veredicto está "em fase de análise".

 

 

Não percebo porque é que se decidem sanções a países por motivos económicos e bélicos e depois se reduz a luta contra a tortura incentivada pelo estado a umas manifestações e queixas. Pedidos, de 'por favor e obséquio tenha piedade dessa mulher e deixe-a viver, ou pelo menos, não a mate com grau maior de crueldade'.

Obriguei-me a ver um vídeo desses passado pela tv espanhola. Uma rapariga e um homem, embrulhados num pano branco e atados (para os cobardes -todos homens- que os matam não terem de ver as caras deles); abrem duas covas verticais com pás e enterram-nos até ao peito; depois, agarram em pedras, e matam-nos lentamente. O Juíz é o primeiro a atirar a pedra, depois os do tribunal e depois os outros. Aos poucos os panos brancos enchem-se de sangue com as pedras a atingi-los nas cabeças. Os homens não param de apedrejar. A agonia é lenta e cruel.

Tudo em nome da religião. Povos inteiros a serem educados -elas também- na selvejaria e na crueldade, no homicídio, na violação, no aplauso da escravatura. E depois o mundo faz o quê? Organiza manifestações? Ou diz que é tudo uma questão de cultura? Que hipocrisia!

Na blogosfera portuguesa há sites de homens, alguns que passam por ser intelectuais e gente culta deste país e que aparecem a comentar na televisão estas coisas com indignação mas que têm nos seus blogs, quase diariamente, fotografias de mulheres despidas em poses lascivas ou da Playboy numa evidente coisificação das mulheres como instrumentos de exploração sexual. E com piadinhas estúpidas e tudo.

Eu não sou uma pessoa púdica ou sequer contra a venda de pornografia (de adultos para adultos). Agora, não tentem chamar arte à pornografia, só para poderem consumi-la e ficarem de bem com a consciênciazinha burguesa de tipos civilizados. Se querem consumir pornografia, pois consumam-na, mas assumam que são gajos que alimentam a pornografia. A pornografia, que não é arte, assim como esta crueldade selvática que fazem a estas mulheres não é cultura nem religião, alimenta o universo da droga, do tráfico e exploração de mulheres e o crime em geral. Assim como o que se passa nos países do Islão alimenta o crime, a escravatura, a tortura e os instintos mais baixos que o homem tem. Não lhe chamem cultura.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:21

g.a


3-8-12



1 comentário

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De Anónimo a 28.08.2010 às 19:14

Pois, vivemos numa sociedade consumista e materialista, feminista e machista, apesar dos valores básicos de cristianismo e de cultura greco-latina. Em relação ao Irão + mts outras paragens há dessas coisas de apedrejamento e outras parecidas da idade tribal. Fez-lhes mt falta a missionação que neste caso Portugal pretendia ali implementar, e não foi possível, pq entretanto chegaram ingleses e holandeses apenas interessados no sec . XVII no comércio, e pode-se daqui inferir que todas as colonizações não são iguais. As colonizações dos povos ibéricos foram organizadas pelo Estado como continuação territorial e de aculturação, enquanto as outras foram companhias particulares com objetivo de comercio. Dali, pode-se concluir os territórios que sofreram missionação são diferentes dos territórios que não sofreram a missionação::::::::::::::::::::

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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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