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oportunidades perdidas

por beatriz j a, em 23.08.10

 

 

 

Neste país perdeu-se uma grande oportunidade de ter uma educação pública de excepção. Houve uma altura, lá pelo início dos anos 90, que por uma série de factores que se conjugaram positivamente estavam reunidas condições para pôr a escola pública ao nível das melhores congéneres da Europa. Nessa altura o número de alunos começou a diminuir e havia excedente de professores no sistema. Tinham entrado em catadupas com a massificação do ensino após a revolução. Teria sido fácil ter quadros estáveis nas escolas, aproveitar essa gente para diminuir os alunos por turma e as turmas por professor; pôr esses professores a dar apoios, a desenvolver projectos com os alunos e a fazer o que mais fosse necessário.

Não implicava acréscimo de custos porque já estavam no sistema (agora estão na reforma a absorver milhares de euros da segurança social e a escola já tem falta de professores...), era uma questão de ir, aos poucos, modernizando as escolas, com equipamentos e técnicos profissionais.

Em vez disso preferiu-se levar os professores em excesso para ministérios e direcções regionais para servirem de caciques às políticas dos governos e às modas dos que se punham a brincar aos ministros de educação. Agora começam a faltar professores a várias disciplinas (reformaram-se antecipadamente) e funcionários; as escolas não foram modernizadas, nem se contratraram técnicos.

Na realidade perdeu-se uma oportunidade que não voltará a repetir-se e nada se fez a não ser drenar as escolas dos seus já parcos recursos.

Mesmo agora, nem tudo está perdido porque há muita gente nas Direcções Regionais e no ministério que poderia voltar às escolas e ainda estamos a tempo de inverter as políticas desastrosas dos últimos tempos.Desfazer a escola fábrica e as direcções não democráticas - era preciso apenas que a lógica não continuasse a ser a mesma: ter caciques a impôr os interesses de quem governa, ou seja, era preciso mudar esta gente porque enquanto forem os mesmos a mandar nada mudará.

Gostava de saber o que pensa o PSD da educação e o que pensa fazer se for o próximo governo. Ainda não ouvi uma única palavra spobre o assunto. Só reacções a isto ou aquilo mas ideias...nada.

 

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publicado às 22:41

g.a


3-8-12



6 comentários

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De Anónimo a 24.08.2010 às 00:51

Acho k os problemas resolvem-se corrigindo os pontos fracos e não através de mudanças e revoluções instintivas, pois, é preciso um organismo da CE, extra nacional, para atender as queixas e impor processos disciplinares aos incumpridores das leis nas várias instituições, uma vez que os tribunais e mt das instituições sofrem de indisciplina...e as decisões dos provedores de justiça não tem força de lei..e como tal não deviam existir (são uma despesa inútil)..pois é preciso disciplinar a sociedade, e as instituições. Não é botando abaixo e substituindo-os por outros que os problemas são resolvidos. Acabar um ciclo, e começar um novo ciclo não significa à partida uma melhoria, mas um abismo, tudo pode acontecer, nada se sabe...É preciso manter as pessoas nos seus lugares e exigir serviço com qualidade..
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De beatriz j a a 24.08.2010 às 01:04

Isso é verdade quando os problemas não são as próprias pessoas! Quando são é preciso antes de mais tirá-las de lá antes que destruam tudo. Porque se as pessoas que decidem as políticas são corruptas usam o poder para entupir todos os mecanismos que põem a democracia a funcionar. Como dizia Montesquieu, «é muito difícil que não sendo honrados os principais cidadãos de um estado, os outros queiram ser homens de bem; que aqueles enganem e estes se conformem com ser enganados»
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De Anónimo a 24.08.2010 às 01:15

Ao meu ver o grande erro está aí, mudar as pessoas pq fez mal o trabalho! Não, se fez mal o serviço deve corrigir e sofrer pena disciplinar..para não andarmos no ciclo vicioso de tais eleições ou simples substituições de pessoas...O grande problema não é o governo..mas, sobretudo, vai desde o contínuo..até ao director de cada um dos serviços...o mal está aí e tb nos governos, pois, os governos saem..e a maquina dominada pelos chefes continua e toda a camada subordinada, desde continuo ao tecnico superior, continuam com a mesma mentalidade..Há que disciplinar estas cadeias de funcionamento dos serviços publicos ! Mudando os governos nada se resolve..mas exigindo trabalho em qualidade e responsabilidades à maquina administativa e tb ao governo......
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De beatriz j a a 24.08.2010 às 09:14

Estou de acordo que se deve exigir melhor trabalho mas quando quem manda é um corrupto que se serve dos cargos para si e não para trabalhar o que fazemos? Exigimos que mude a sua natureza e se torne um homem honesto?Isso é irrealista e o problema é que, enquanto lá estiver dá o mote para os que estão abaixo. Os subordinados são muito aquilo que as chefias são porque se acomodam ao sistema. São elas quem imprime uma dinâmica a toda a hierarquia. Isso vê-se muito bem nas escolas, nas turmas. Se o DT é alguém exigente com os alunos e consigo próprio a turma é uma coisa. Se de repente muda o DT e entra alguém que é um relaxado consigo e com os alunos e eles mudam imediatamente o comportamento, o ritmo de trabalho, etc. Vê-se por todo o lado. Veja o que se passou nos EUA. A diferença que a mudança da chefia fez. Acredito que se deve responsabilizar corruptos e impedi-los de voltar a exercer cargos públicos. Assim íamos dificultando a vida aos que se servem dos cargos públicos apenas para se encherem a si e amigos. Mas até isso é difícil pq os corruptos, uma vez no poder, sabotam os mecanismos da democracia. é um problema complicado este. Platão passou a vida inteira a pensar neste assunto de como garantir que as maiorias democráticas não elejam desonestos ou prepotentes que destroem o próprio sistema que os elegeu? Eu acredito que é um trabalho a médio/longo prazo que se faz pela educação. Educar para a convivência civilizada e responsável e esperar que as pessoas aos poucos vão melhorando os seus padrões de vida civilizacional. Mas também isso depende de termos uma chefia não míope.
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De pereira a 24.08.2010 às 10:51

Estamos na democracia desde 1974 e o que se vê é corrupção galgar todas as instituições de modo crescente, e você acha que agora vai mudar a mentalidade do novos governantes e chefes, etc...através da escola que se calhar também sofre da mesma doença. Veja bem a actuação do Obama : castigar quem não cumpre as normas e exigir as respetivas responsabilidades, se fosse em Portugal se calhar Obama seria crucificado!!! Aqui ninguém quer disciplina e responsabilidades, pois os governantes não gostam disso..e eles que vieram do antigo regime tem ódio a disciplina e responsabilidade e sacrifício exigido antes da democracia......
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De beatriz j a a 24.08.2010 às 11:12

Acho que mistura várias coisas. Não estamos na democracia desde 74. As revoluções têm períodos mais ou menos longos de ebulição. O nosso durou aí uns 10 anos. Os nossos governantes (muitos são ainda os mesmos desde a revolução) estão cheios de vícios, como disse. Por isso mesmo é preciso mudá-los e varrer a mentalidade deles. A solução não é a não-democracia, não é a prepotência. A solução é a construção e a estabilidade dos mecanismos de controlo da economia, da corrupção, da ppria democracia, para que cada vez menos as pessoas possam, impunemente, ocupar lugares de poder apenas para proveito próprio. Mas para q tal aconteça é necessário ir mudando a mentalidade e isso só se faz através da educação. Podemos ter uma escola que eduque para a responsabilidade, para a cidadania, etc. Não vejo outra solução. Não é verdade que antes do 25 de Abril houvesse responsabilidade. Havia grandes desigualdades e uma minoria tinha toda a riqueza nas mãos. Só eram mais francos e diziam abertamente, 'isto é uma ditadura e uns nasceram para mandar e outros para serem mandados'.

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no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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