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Scandal Haunts Atlanta’s School Chief

 

Quando se transformam as escolas em unidades de produção onde o investimento depende de resultados estatísticos acontecem coisas como esta: em Atlanta, nos EUA, 58 escolas estão sob investigação. Em 13 provou-se fraude generalizada, em 12 fraude isolada, as outras 33  estão a ser investigadas. Depois de no ano passado se ter suspeitado de fraude e após sinalização das escolas sob suspeita, os exames a nível de Estado foram feitos sob medidas extremas de vigilância. As escolas sinalizadas como suspeitas baixaram drasticamente os resultados.

O que se passa é o seguinte: porque os apoios em dinheiro só acontecem se as escolas mostrarem estatísticas de sucesso, os professores dessas escolas resolveram apagar as respostas erradas dos alunos e corrigi-las de modo a garantirem a continuidade do fluxo de dinheiro. Vai para lá um escândalo de todo o tamanho porque as escolas eram tidas como escolas modelo no modo como punham alunos de meios desfavorecidos a tirarem rapidamente excelentes resultados.

É o que acontece quando se transforma a educação numa unidade de produção capitalista.

Na educação desconfiamos de milagres porque a formação leva tempo a sedimentar e a dar frutos constantes e duradouros.

A boa educação custa dinheiro. E mesmo assim nem sempre resulta! Veja-se o caso do Miguel Sousa Tavares, filho de uma poeta extraordinária, de um jornalista de excepção, com a vidinha toda almofadada desde o bercinho de ouro e deu no que deu...é assim que se vê que a educação, que custa dinheiro para ser boa, é um investimento sem garantias absolutas.

O professor deve ser tratado como professor e não como gestor de alunos. Quando os professores deixam de ver-se como educadores e passam a ver-se como gestores de unidades (alunos) geradoras (ou não) de dinheiro, começam a comportar-se como gestores de empresas públicas: deixam de cooperar entre si, deixam de se preocupar com os alunos e passam a preocupar-se apenas com o dinheiro.

Um dia que se desenterrem os processos de titulares e subidas de escalão e tempo de serviço das escolas, acho muita coisa se vai descobrir. Pode ser que me engane, mas desde que a Lurdes Rodrigues e o senhor Freeport instituíram a prática do suborno encapotado na educação muitos professores deixaram imediatamente de se verem como professores, para passarem a ver-se como gestores de alunos.

É isto que se quer para a escola pública? É isto que se quer para o país?

 

http://www.nytimes.com/2010/08/08/education/08atlanta.html

 

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publicado às 22:15

g.a


3-8-12




no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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