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directamente da insónia

por beatriz j a, em 16.07.10

 

 

 

A maior parte das pessoas pensa que a amizade e o amor não existem como coisa permanente, não fugaz. Pensam que são coisas de filme. Mas não são e se são desvalorizadas é talvez porque implicam uma atenção para fora (é por isso que somos cativados) e uma disponibilidade constantes (é por isso que nos deixamos cativar) que talvez não pratiquem.

Andava agora com esta insónia a ler os blogs do sapo e num que está em destaque alguém diz que o melhor é estar sempre só e que abrir-se a alguém acaba sempre por dar mau resultado e magoar, etc. É verdade que se vê que é escrtio por alguém ainda muito nova sem experiência de vida senão já tinha percebido que estar só é o pior destino que se poderia desejar. Não o estar só consigo mesmo, mas o estar só de solidão. Mas percebe-se ali a razão das pessoas não perceberem a riqueza da amizade. E do amor também.

Há vários tipos de amizade, mas toda a amizade implica confiança, lealdade, respeito, disponibilidade, comunicação, partilha, risco, intimidade e identidade. Onde não há identidade nada junta as pessoas; onde não há comunicação a actualidade perde-se e o que separa cresce; onde não há disponibilidade há desconfiança; onde não há confiança não há lealdade...é por requerer estas coisas todas que a maior parte das pessoas não sabe ser amigo, nunca aprendeu, e não lhe dá valor: nunca a experienciou.

Mas há vários tipos de amizade:

-há a amizade positiva onde todas aquelas coisas existem e de modo positivo. quer dizer, não há cenas más entre as pessoas amigas. Têm sempre o cuidado de respeitar, de não exigir o que a outra pessoa não pode dar, de não pôr o outro em posição de constrangimento, de não magoar, de partilhar tudo de um modo positivo, aberto, franco e verdadeiro. É talvez a mais perfeita. Sabemos que podemos contar com a outra pessoa sempre e ela também sabe isso de nós.

- há a amizade com cenas negativas à mistura fruto de faltarem algumas daquelas características e isso criar bolhas de desconfiança, mas que vão sendo ultrapassadas com a comunicação e a partilha. Não serão tão perfeitas mas em contrapartida podem ser extremamente intensas ou divertidas.

É perfeitamente possível ter mais que um amigo verdadeiro porque contatacmos com as pessoas em diferentes facetas da vida.

O amor também pode ser positivo ou negativo da mesma maneira.

Não falo de amizades de circunstância onde só tocamos a superfície das pessoas porque isso não é amizade, embora seja importante para a vida. Há pessoas que todos os dias contactam com os mesmos 'amigos' que até vão ajudando nisto e naquilo, mas que de repente se mudam de emprego ou de sítio, nunca mais se contactam nem sentem falta disso. É assim que se vâ que não eram amigos. Eram conhecidos com problemas comuns.

Nem falo do amor como paixão que se esfuma ou desejo que se esgota. Falo duma mesmidade do ser.

Essas coisas existem e nada se lhes compara. São incondicionais. Sabermos que alguém gosta de nós incondicionalmente, para além de todos os defeitos que nos conhece, que nos critica mas não julga, que nos diz a verdade, não nos ilude, que pensa em nós e se preocupa connosco e com o nosso bem estar, que está disponível para nós...quem já teve e tem isso sabe o que vale e não abre mão das pessoas. E vice-versa, porque o prazer que advém de dar, de partilhar, é superior a tudo o que se possa experienciar em termos de felicidade e transformação interior. Mais nenhuma experiência faz crescer tanto, positivamente. É por isso que causa pena a incapacidade das pessoas como aquela do blog que diz que é bestial não se confiar em ninguém, porque assim não se magoa nunca.

Quanto ao Amor, o sentimento de mesmidade é uma experiência tão radicalmente profunda e superior a tudo que não se consegue falar dela a não ser na voz da poesia. Nenhuma outra vestimenta lhe serve, tudo lhe fica pequeno.

Isso é o que faz a pena continuar na luta. Sem isso somos coxos na mente, amargos no coração, pobres em solidão.

 

Num dos documentários que tenho sobre o Jimi Hendrix, um indivíduo com uma capacidade de amar que deixou marca, uma grande amiga dele conta que os fãs, alguns (algumas) dos quais ansiavam por vê-lo, por falar-lhe, por terem a experiência de estar com ele e verem-no tocar, quando conseguiem entrada nos bastidores, ou nas festas em que ele estava, comportavam-se depois duma maneira blasé como se não lhe ligassem grande importância. E se o ouviam tocar não se mostravam impressionadas. É claro que desse modo se privavam de toda a experiência e prazer que ansiavam. Diz essa amiga dele que isso se passava com a maior parte das pessoas. O Eric Clapton e o Pete Townshed, que não se dão, mas que são guitarristas excepcionais que reconhecem muito bem quando estão na presença de algo única, quando o ouviram tocar pela primeira vez, assustaram-se por ele ser tão tão bom que foram os dois sair ao café e falaram durante horas do assunto. Ainda hoje falam nessa experiência que os inspirou e alimentou a criatividade até hoje.

Eu penso que a descrição dos fãs do Jimi pela amiga dele define a maior parte das pessoas em relação a muitas coisas por que anseiam ou sonham.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:33

g.a


3-8-12



1 comentário

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De maria cecilia a 16.07.2010 às 21:47

Essa cena com o Endrix tem muito a ver a ver com a cena bíblica do discípulo que negou três vezes o Mestre. Depois, da amizade e do amor o " FRAGMENTOS DE UM DISCURSO aMOROSO" do ROLAND BARTHES, principalmente do amor mas, tb da amizade.
Hoje estive no café com uma amiga dos tempos da juventude e julgo que esse cultivo da amizade é muito bom , esse reatar de laços.
Com amizade:
Maria Cecília

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