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diário de bordo do fim de semana

por beatriz j a, em 12.07.10

 

 

No balanço do fim de semana assinalo uma dorzinha de ouvidos -mergulhos a mais-, um ligeiro escaldãozinho nas costas (sim, eu sei que já não tenho idade para tais disparates) e o livro The Revolutionaries todo lido.

Os fundadores da América, gente criada na província -daí talvez o terem sempre os pés bem assentes na terra-, preocupavam-se com os que viriam a seguir. Tinham perfeita noção que o que estavam a fazer lhes daria um lugar de relevo na História, mas isso não lhes bastava. Queriam garantir que o povo para o qual escreveram a Carta da Independência, disfrutasse das oportunidades de vida e de liberdadade pelas quais lutavam. Entendiam que um povo deve governar-se a si mesmo (daí a insistência para o tipo de governo republicano) e que, para o poderem fazer, seria necessário que fossem autónomos no pensar e no agir. Por isso, apostavam na educação como instrumento de nivelar por cima a igualdade de oportunidades, a consciência de autonomia, de liberdade e de soberania.

 

Essa ideia não está ultrapassada. Comecei agora a ler um livro que defende o ressurgimento dessa visão de autonomia em direcção a uma 'verdade' abraçada pelos povos. Ainda vou no início do livro do Slavoj Žižek, o filósofo polémico de muito sucesso nascido na ex-Juguslávia In Defense of Lost Causes. Diz ele que certos regimes deram passos certos na direcção errada. Os passos eram certos porque buscavam uma sociedade com um sentido, um projecto reconhecido pelo qual se vivesse, mas foram dados na direcção errada porque descambaram em totalitarismos. Ele pensa que isso não deve fazer com que se desista e se afunde neste cinzentos pos-modernismo relativizantes que não são carne nem peixe. O livro tenta recuperar ideias que foram ideais políticos, não como existiram mas como meio de ultrapassar este impasse em que vivemos (mal) com o capitalismo a descambar numa contradição de si próprio e os povos do planeta a perderem a autonomia que tanto custou a ganhar.

A ideia dele é que se da primeira vez se falhou, deve tentar-se de novo e, se possível, falhar melhor e ir sucessivamente 'falhando cada vez melhor'.

Estou cheia de curiosidade para ler o que ele defende e, sobretudo, como o defende, porque toda a ideia de educação que eu e muita gente tem é justamente aquela que desenvolve a pessoa para a autonomia, para uma vida com um sentido que ultrapasse o mero individual e com uma capacidade de se governar a si próprio. Se cada um dos indivíduos dum povo não for autónomo a governar-se como é que o país será, ele próprio, autónomo na governação...?

 

 

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publicado às 10:56

g.a


3-8-12




no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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