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Fernando Pessoa’s Disappearing Act

The mysterious masterpiece of Portugal’s great modernist.

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publicado às 12:32

 

 

Alguém acreditaria que aquela expressão, traduzida em objectivo educativo há uns bons anos, que tanto mal fez à escola -aprender a aprender- voltaria a reinar? Não? É que está de volta e em pleno florescimento. Não estou a falar de incentivar à autonomia do pensar e do fazer, o que é muito positivo, mas de, pura e simplesmente, deixar os miúdos mais ou menos à sua sorte pensando que já têm idade e maturidade de adultos.

Pessoas que percebem tanto de didáctica de educação como eu percebo de finanças fazem palestras a incentivar uma maneira de não ensinar que se traduz por, grosso modo, os miúdos estudarem sozinhos, sendo os professores uma espécie de emplastros, digo eu. Como muitos professores novos não são do tempo desta parvoíve que tanto mal fez, acham isto uma novidade gira e embarcam nestes enganos, sem perceber que estão a demitir-se das suas responsabilidades e a deixar os miúdos mal. 

 

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publicado às 10:14


Assédio no trabalho

por beatriz j a, em 30.08.17

 

 

A Lei n.º 73/2017, de 16 de agosto de 2017, que entra em vigor no próximo dia 1 de Outubro, vem reforçar o quadro legislativo para a prevenção da prática de assédio no trabalho, tanto no sector privado como na Administração Pública.

 

Assedio_no_Trabalho

 

Recorde-se que, nos termos do artigo 29o do Código do Trabalho, se entende por assédio “o comportamento indesejado, nomeadamente baseado em fator de discriminação, praticado aquando do acesso ao emprego ou no próprio emprego, trabalho ou formação profissional, com o objetivo ou o efeito de perturbar ou constranger a pessoa, afetar a sua dignidade, ou de lhe criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador”. Se o comportamento indesejado tiver caráter sexual entra-se na subespécie do assédio sexual.

 

daqui: fiscalidade,blogs,sapo.pt

 

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publicado às 19:21


Palmira

por beatriz j a, em 30.08.17

 

 

Palmira.jpg

Palmira, imagem da net

 

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publicado às 17:45


O negócio dos medicamentos

por beatriz j a, em 30.08.17

 

 

Pedi à médica das alergias para me indicar um creme para um problema que pensava ter a ver com alergias. Não tem mas ela sabia de um. Escreveu-mo num papel embora não tivesse certeza do nome. Fui à farmácia com o papel e o farmacêutico não o conhecia, não encontrou no computador e disse-me que ia ligar para o laboratório. Enquanto ele fazia isso agarrei no telemóvel e escrevi no google, 'medicamento para tal e tal'. Apareceu-me logo o medicamento de modo que chamei o farmacêutico e disse-lhe, 'olhe, já sei o nome e até sei o preço'. Ele também já tinha encontrado o medicamento e disse, 'sabe o preço?'. Sei, está aqui, 24.95€ e, mostrei-lhe a imagem. O homem ficou um bocado embaraçado e disse, 'ah, mas o preço são 38.98€. Isso deve ser o preço no laboratório'. Não, isto é o preço de venda, disse-lhe. 'Pois, diz ele... se quiser tente arranjar noutro sítio' ??? Perguntei-lhe: mas esta é a vossa margem de lucro? É que juntar 14€ a 25€ é uma barbaridade... bem, comprei-o porque preciso mas entretanto já fui à internet e descobri-o por metade do preço. Nunca mais compro ali.

Sou só eu que acho isto escandaloso?

 

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publicado às 17:33


Just saying... the obvious...

por beatriz j a, em 30.08.17

 

 

Todos os estudos mostram que as raparigas têm facilidade na linguagem e comunicação e que os rapazes têm dificuldades nessa mesma área. Mesmo que isto seja verdade*, a solução não é separarmos os exercícios e testes das raparigas e dos rapazes, dando-lhes a elas textos complexos com exercícios complexos e a eles, textos com a lista do supermercado para ir ao encontro das limitações da sua natureza. Pelo contrário, se naturalmente eles são piores em uma área, têm que trabalhá-la mais para a desenvolver. Da mesma maneira, a ser verdade que as raparigas têm menos aptidão para a orientação espacial, a solução pedagógica não é reforçar a dificuldade dando tarefas mais fáceis mas, justamente, compensar com estímulos o desenvolvimento. Óbvio, não?

 

*desconfio muito destes estudos que professam estas e outras petições de princípio dogmáticas acerca das capacidades femininas e masculinas; volta e meia dou-me ao trabalho de seguir os estudos até às fontes e à experimentação que lhes deu origem e o que vejo é que têm por base interpretações de experimentos já de si enviesados. Por exemplo, aqui há tempos estive a ler uma experiência feita por dois investigadores, homens, em que punham numa sala carrinhos, aviões e livros e deixavam as crianças escolher. Concluiram que as raparigas são melhores na linguagem porque escolhiam os livros e os rapazes gostam mais de explorar coisas porque escolhiam os aviões e os carros. Ora, é evidente, como diziam os revisores da experiência, que estes investigadores homens, escolheram 'coisas' que fazem já parte da educação dos rapazes, carros e aviões. Não sabem se, tendo posto lá dentro vestidos, bonecas e livros, as raparigas não se interessavam por desmanchar os vestidos e as bonecas (coisas) e os rapazes por ler os livros. Ou seja, os investigadores, homens, poluíram o estudo desde o início com as suas escolhas mas não se coibiram de tirar conclusões dogmáticas como se tivessem chegado a uma verdade.

 

Outro exemplo, no dia em que fui ao hospital levar a vacina, fui ao café. Estava lá uma mãe com dois filhos, uma rapariga e um rapaz, de idades de seis e sete anos ou por aí. Estavam a comer uma sandes e levantaram-se. A mãe diz para a rapariga, 'deixa-te estar sentada a comer. Uma senhora tem sempre classe.' Depois voltou-se para o rapaz e disse, 'podes ir explorar até ao elevador'. Estes reforços de estereótipo de género são constantes e penso que as pessoas nem se dão conta do que fazem mas estas coisas têm consequências no desenvolvimento das crianças.

 

Outro exemplo, não tenho nenhum sentido de orientação, mas é porque não conduzo, de modo que enquanto o/a condutor/a se preocupa com direcções e sentidos norte e sul, etc., eu vou a apreciar a paisagem, reparar nos monumentos, nas pessoas, na natureza, distraída a pensar em qualquer coisa, etc. Quer dizer, nunca estimulei isso em mim e, em geral, vou dar aos sítios, sem me perder, por intuição. Sou péssima a memorizar nomes de pessoas porque não faço o mínimo esforço. Todos os anos tenhos que pôr na cabeça centenas de nomes e caras de alunos e depois deitá-los fora e pôr outros novos. Não estou para gastar tempo e espaço de memória com coisas temporárias. Tenho técnicas para facilitar a memorização mas não valorizo essa habilidade de modo que não a desenvolvi e levo muito mais tempo que os colegas a saber o nome dos alunos.

 

É óbvio que a educação deve estimular e esticar ao máximo, se puder, as potencialidades (que são plásticas) e não reforçar as dificuldades. E quem anda no meio da educação, seja na escola, seja na editora que faz livros para a educação, se não percebe isso, dedique-se à pesca mas não estrague as possibilidades das pessoas.

 

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publicado às 15:06


Education, Education, Education

por beatriz j a, em 30.08.17

 

 

 

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publicado às 12:24


Citação deste dia

por beatriz j a, em 30.08.17

 

 

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publicado às 06:37


Meditativo

por beatriz j a, em 30.08.17

 

 

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photo by Yousef Masoud 

 

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publicado às 05:36

 

 

Infelizmente, a maioria só cá vem passar férias...

Entrevista a Maria Pereira, uma investigadora portuguesa. Muito interessante.

 

1ª parte

2ª parte

 

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publicado às 05:24


Quando recebemos aquele email...

por beatriz j a, em 29.08.17

 

You've been pwned! e temos que mudar todas as passwords... grande massacre...

 

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publicado às 22:54


Funcionou perfeitamente...?

por beatriz j a, em 29.08.17

 

Santos Silva avisa: Quem provocar crise política em Portugal “vai pagar caro”

"Há uma resiliência social muito impressionante na nossa população", afirmou o ministro [Santos Silva] à agência noticiosa. "Tivemos que cortar salários, cortar pensões, criar novos impostos e sem turbulências sociais significativas. A forma de os portugueses lidarem com as dificuldades, com base em redes familiares, em redes comunitárias, funcionou perfeitamente durante a crise e a crise em Portugal foi muito, muito severa ".

 

Então mas o SS não ouviu falar dos 350 mil jovens que tiveram que fugir do país? Dos quase dois milhões de crianças que vivem no limiar ou abaixo do limiar da pobreza? Das milhares de famílias que perderam as casas? Devia ter passado na minha escola para ver as fichas de inscrição dos alunos: profissão do pai, desempregado', profissão da mãe, 'desempregada'.

Mas achará ele que, como por magia, essas pessoas refizeram a vida fantasticamente e recuperaram o que perderam?

 

Isto é o país que temos: os políticos ficam com o dinheiro das ajudas às vítimas, vivem no mundo da lua ou melhor dizendo, no mundo da Tertúlia do Paço a almoçar à pala ou no mundo das viagens à pala ou da vida toda à pala, de modo que não têm noção do que é o país.

 

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publicado às 21:18


Esta gente assusta-me

por beatriz j a, em 29.08.17

 

 

Brussels hoists gross Brexit ‘bill’ to €100bn

France and Germany back tougher approach to Britain’s departure obligations
 
 
100 mil milhões? Talvez isto seja conversa própria de período eleitoral na Alemanha. Espero que sim porque esta gente tem complexo de Napoleão e assusta-me. Estão a medir forças com dinheiro... porque hão-de fazer um divórcio litigioso em vez de tentar um divórcio amigável? Porque razão se quereria quebrar os ingleses? Já se esqueceram das razões que levaram os ingleses a desconfiar da UE e a votar pela saída? Deviam preocupar-se em dar coerência, transparência e democraticidade ao projecto da UE. São como políticos aqui do rectângulo a lidar com os fogos: quando acontecem todos choram mas assim que vem a estação seguinte já esqueceram que o importante é a reforma da floresta para garantir o futuro e não a venda dos queimados para o maior lucro.
 

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publicado às 20:56


Estes pais que nos tramam

por beatriz j a, em 29.08.17

 

 

Hoje fui ao hospital levar uma vacina. Estávamos lá umas nove pessoas na sala de espera quando entra uma mulher com o filho. O miúdo, com cerca de cinco anos, vinha com um jogo electrónico com o som altíssimo, uma música e uma voz tipo Mário, completamente irritante. Sentou-se numa mesinha de apoio em vez de sentar-se na cadeira, a falar à bebé (dizia 'fomiga' em vez de formiga e a mãe não o corrigia - isto é tão nocivo para o desenvolvimento da linguagem e do pensamento) com o jogo, sempre altíssimo. A mãe chamou-o, disse que não ia. Levantou-se a mãe e foi dar-lhe um iogurte à colher como se fosse um bebé, ela de joelhos no chão, ele a virar a cabeça. A mãe como se nada fosse.

Como não me cabe a mim educar pais mas aquilo estava a incomodar-me imenso -mais a atitude da mãe que a do puto- levantei-me e fui esperar para o corredor onde não o ouvia. Passados cinco minutos já estávamos seis no corredor. O puto ia-nos expulsando da sala, um a um.

São estes pais que nos tramam: quando este miúdo chegar a uma sala de aulas só vai dar problemas em virtude de ninguém lhe ter ensinado competências básicas de sociabilidade ou lhe ter incutido um mínimo de regras e disciplina, alguma resistência à frustração...; enfim, quem se trama é o professor que o apanhar porque vai ter que trabalhar contra a mãe para o educar minimamente nessas áreas, muito antes de o poder instruir. Agora imagine-se uma turma com uma mão cheia destes...

 

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publicado às 14:52


Aniversários - discurso de Martin Luther King

por beatriz j a, em 29.08.17

 

 

Há 54 anos, neste dia, Martin Luther King Jr. fez um discurso no Lincoln Memorial onde pedia uma sociedade mais justa. Ainda estamos muito longe.

 

via smithonian 

 

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publicado às 08:31


ADSE - podemos eleger os nossos representantes

por beatriz j a, em 29.08.17

 

 

 

Listas admitidas, locais, horários, formas e meios de votação

Foi aprovada pela Comissão Eleitoral a relação das listas admitidas no Processo Eleitoral dos Membros Representantes dos Beneficiários Titulares da ADSE, I.P. no Conselho Geral e de Supervisão da ADSE, I.P. .

Leia aqui o anúncio completo das listas admitidas, locais, horários, formas e meios de votação.[+]

 

 

 

 

Listas admitidas no processo eleitoral

Foram aceites sete listas candidatas ao Processo Eleitoral dos Membros Representantes dos Beneficiários Titulares da ADSE, I.P. no Conselho Geral e de Supervisão da ADSE, I.P. .

Consulte aqui os membros que compõem cada lista.[+]

 

 

 

 

Manifestos eleitorais

Por forma a que possa decidir conscientemente o seu sentido de voto, consulte os manifestos eleitorais de cada lista candidata.

Lista A - Pela Nossa Saúde – Uma ADSE Mais Solidária [+]

Lista B - Uma ADSE Justa e Sustentada [+]

Lista C - Por Uma ADSE Mais Justa [+]

Lista D - As Pessoas Primeiro! [+]

Lista E - Por uma ADSE Pública ao Serviço dos Beneficiários [+]

Lista F - Futuro Protegido! [+]

Lista G - Por uma ADSE Pública e dos Trabalhadores [+]

 

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publicado às 06:56


Quando as notícias não informam

por beatriz j a, em 29.08.17

 

Enfermeiros acusam ministro da Saúde de desonestidade

 

Uma pessoa lê o artigo e só fica a saber que os enfermeiros e o ministro andam a acusar-se mutuamente e que os enfermeiros obstetras se queixam de não receber horas extraordinárias. Há poucos dias li outra notícia que dizia que os enfermeiros reivindicam ganhar mais que os médicos. Não acredito que os enfermeiros tenham feito uma reivindicação nestes termos mas fiquei sem saber o que se passava porque a notícia prefere ser bombástica a ser esclarecedora. 

As notícias não são informativas: não contextualizam o assunto, não explicam o que se passa, como se chegou a este desentendimento... só ficamos a saber que não se entendem.

Os médicos também estão em ruptura com o ministro mas também não sabemos ao certo porquê. Vão aparecendo, aqui e ali, pequenas notícias de quatro linhas que explicam nada.

Outro dia também li que os juízes iam fazer greve no período das autárquicas e que havia quem dissesse que era ilegal mas, nada de explicar o que se passa... não é como se uma greve de juízes fosse pouca coisa.

Em suma: os jornais prestam um mau serviço. Não informam de maneira esclarecedora. Parece que escrevem só para encher papel.

 

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publicado às 05:55


Que poético e comovente...

por beatriz j a, em 28.08.17

 

(...)

stumm werden wir uns in die Augen schauen,
und auf uns sinkt des Glückes stummes Schweigen...

 

 

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publicado às 22:06


O que eu fui descobrir :)

por beatriz j a, em 28.08.17

 

 

Assisti a este concerto. Lembro-me da voz da mulher como se fosse hoje (é muito melhor ao vivo) e no vídeo não dá para perceber a gritaria das pessoas aqui no fim do concerto - esta aria foi o último encore. Também devo ter gritado porque muito bem me lembro da impressão forte que a voz dela causa. Acho piada nas casas de ópera e concertos ver as pessoas de certa idade entrarem muito compostas, civilizadas, corteses e, no fim, quando gostam muito, aos gritos, completamente descompostas de excitação. Eu faço o mesmo :)

O som não está grande coisa, infelizmente.

 

Pavilhão Atlântico, Lisboa. 01.05.2002
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Maestrina, Nicoletta Conti

 

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publicado às 19:19


da experiência das aulas

por beatriz j a, em 28.08.17

 

 

Não vejo que cada aluno tenha a sua maneira de aprender como geralmente se assume quando se fala neste assunto da aprendizagem. Não é isso o que observei nestes cerca de trinta anos a dar aulas de Filosofia a adolescentes, geralmente entre os 15 e os 19 anos. Não é como se usassem processos mentais diferenciados: todos têm os instrumentos que os tornam capazes de imaginação, de análise dedutiva, de comparação, de generalização indutiva, etc.

O que acontece é que chegam às aulas com esses instrumentos em estádios diferentes de desenvolvimento. A maioria, em geral, já exercitou muito a imaginação mas pouco a capacidade dedutiva, por exemplo. Acresce ainda a diferença de contextos intelectuais, físicos e psicológicos que cada um traz e com os quais filtram a informação de modo personalizado.

 

Há alunos com um nível de linguagem muito bom a facilitar a maleabilidade mental, a acomodação de novos conhecimentos e a ligação a outros conhecimentos de outras áreas e há alunos que não dominam minimamente a língua. Há alunos que já viajaram, tiveram contacto com outras culturas e têm mais facilidade em relativizar a sua própria maneira de ver o mundo, outros nunca saíram sequer da cidade em que vivem e tudo o que é estranho lhes faz confusão. Há alunos com uma tal falta de auto-estima que acham que tudo vai ser dificílimo e desistem à primeira frustração, outros têm muita confiança em si mesmos e são proactivos. Uns alunos tiveram a curiosidade estimulada, outros não vêem interesse em coisa alguma. Há alunos em depressão que andam por ali distantes como se tivessem uma parede entre eles e o mundo. Há raparigas e rapazes que chegam completamente formatados: antes de nascerem já os pais punham o quarto todo cor-de-rosa ou azul, com princesas ou bolas de futebol, conforme os casos e o reforço do estereótipo é tão grande que têm dificuldade com tudo o que sai do papel para que os treinaram. Há alunos que acabaram de descobrir a sexualidade e não conseguem concentrar-se noutra coisa. Há alunos que nunca foram ensinados a estudar e não têm nenhuma disciplina mental. Há alunos que têm famílias que os apoiam, outros estão sózinhos. Há alunos que têm pendor muito forte para uma disciplina, como a Biologia, a Educação Física ou a Matemática, por exemplo, e traduzem toda a aprendizagem nessa linguagem. Há alunos que filtram tudo pela religião que professam. E muitos outros factores existem.

 

O importante e, díficil também, é perceber onde cada um está neste processo de desenvolvimento e compensar - com a quantidade de alunos dentro das salas de aula é impossível fazer-se o trabalho como se poderia fazer.

O problema da linguagem é fundamental porque sem a ferramenta dos conceitos nenhuma ideia se trabalha. Portanto, nesta idade, alguns problemas são já muito difíceis de ultrapassar. Se um aluno está no 10º ano com um nível de linguagem de 5º ano não há muito que se possa fazer por ele. No ano passado tive um aluno do leste europeu que estava pela 3ª vez no 10º ano. Falava  e percebia muito mal o português apesar de estar cá desde o 5º ano. Trabalhou imenso, imenso e acabou por chumbar porque não conseguiu passar a várias disciplinas. Estes casos custam muito a engolir... A escola-sistema falha muito na falta de acompanhamento e apoio sistematizado para estes alunos que precisam de um trabalho especializado e um cuidado especial para melhorar alguns instrumentos fundamentais ou compensarem os seus contextos pobres. Faltam professores, psicólogos, terapeutas, assistentes sociais. Não se fazem omeletes sem ovos...

Às vezes é ao contrário e um aluno está tão à frente dos outros que o desafio é não deixar que se desmotive pela falta de estímulos ao seu nível.

 

O que queria dizer, finalmente, é que não vejo os alunos a aprender de maneira diferente, com recursos intelectuais diferentes, vejo-os é muito assimétricos contextualmente.

 

Como é que se percebe o ponto de desenvolvimento de cada um e se pode fazer essa compensação? Eu sei como faço mas isso fica para a próxima.

 

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publicado às 17:48

g.a


3-8-12


Pág. 1/6



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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