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Adolfo Casais Monteiro

por beatriz j a, em 31.12.08

 

 

 

 

Ofereceram-me, neste Natal, a agenda para 2009 da Imprensa Nacional Casa da Moeda, cuja edição é dedicada a Adolfo Casais Monteiro.

Como já é hábito, em cada ano a INCM dedica a agenda a uma figura das letras e da cultura, apresentando excertos das obras e fotobiografia da pessoa em questão. São sempre muito boas, as agendas. Vamos acompanhando a vida pessoal e familiar da pessoa, paralelamente ao seu percurso intelectual, político, etc. Tudo isto ilustrado com fotografias que marcam os acontecimentos privados e públicos das suas vidas e excertos das suas obras.

 

 

Deixo aqui alguns excertos, perfeitamente actuais:

 

«E então a comédia continua: uma sociedade que não se emenda a si própria quer que os seus filhos se emendem sozinhos ou sejam o contrário dela própria.

Para quê cultura, para quê livros, para quê arte? É que ela guardou na memória a fórmula daquilo de que na realidade deixou perder a significação.»

-  o exemplo perfeito na actualidade é a farsa da educação, que querem seja anti-cultura, anti-arte, anti-literatura - e para quê? Leia-se o excerto seguinte.

 

«O que esteve sempre em questão foi a liberdade. Não a distinção de graus de liberdade, mas o seu próprio conceito. Foi o direito do homem a ser livre, foi o valor moral deste direito, que o Estado Novo teve como principal objectivo eliminar até do espírito de cada português. Toda a filosofia do Estado Novo se pode consubstanciar nisto: a liberdade é o mal, e governar é oprimir.»

-  exactamente o que pensam e fazem, hoje, alguns dos que nos governam e todos os que nos roubam.

 

«Há quem se escandalize por haver no Brasil intelectuais portugueses que não se restringem às respectivas 'especialidades', e que, sendo professores, não se limitam a ensinar, sendo poetas, não se limitam a fazer versos, sendo pintores, não se limitam a pintar...etc. É que esses intelectuais são também 'especialistas' da outra coisa, se me permitem a ironia: têm a especialidade de ser cidadãos conscientes.»

-  é por isso que hoje em dia se perseguem blogues - para impedir a manifestação dos cidadãos conscientes.

 

«Os portugueses estão em vias de descobrir que a revolução terá de ser a de cada um, que não se trata de lutas de partido, nem de perguntar pelo 'programa' da revolução, mas de salvar a própria razão de ser, para criar um mundo em que se tenha o direito de viver. Então será o fim do medo, e a hora de Portugal recomeçar.»

-  a autonomia começa em cada um de nós?

 

«A triste verdade é que a vulgarização serve unicamente para dispor o espírito à aceitação cega e indiscriminada.»

-  veja-se o papel dos 'media', sobretudo as televisões na aceitação da mediocridade.

 

 

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publicado às 11:06


what else is new?

por beatriz j a, em 27.12.08

 

 

 

O excelentíssimo senhor primeiro ministro veio à televisão dizer aos portugueses que se preparem porque o próximo ano vai ser muito mau. Como o pessoal que anda no poder nestes últimos anos e que roubou em quantidades astronómicas o dinheiro público e enfiou o país num buraco fundo, não está interessado em passar dificuldades ( veja-se o caso do Balsemão e companhia ), o primeiro ministro veio avisar que quem se vai tramar é o povo que trabalha. Preparem-se para ficar - ainda mais - desempregados, passar fome e etc. Isto é, lixados.

What else is new?  A única coisa nova é o descaramento com que o primeiro ministro, sempre exibindo aquele sorriso imbecil, anuncia publicamente que vai tramar o peixe miúdo depois de ter resguardado os tubarões.

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publicado às 13:10


apontamentos

por beatriz j a, em 21.12.08

 

 

Sócrates está orgulhosamente só?  Humm... Onde é que eu já ouvi isto...?

 

Não querem ouvir-me e fico só, orgulhosamente só.

 

 

 

Será que a Maria de Lurdes Rodrigues, proto-anarca confessa,  foi à manifestação dos anarquistas em solidariedade com os gregos que ameaçam o poder instituído? Terá gritado contra si própria como já o fez uma vez?

 

 

 

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publicado às 22:42


o processo da Casa Pia

por beatriz j a, em 20.12.08

 

 

Durante o inverno de 1945-1946, ainda no rescaldo da guerra, Karl Jaspers deu um curso sobre a situação espiritual da Alemanha, por causa dos campos de morte, do processo de Nuremberga e das acusações do mundo inteiro que recaíam sobre o povo alemão. As lições desse curso foram publicadas sob o título A Questão da Culpabilidade (ou 'La Culpabilité Allemande', na tradução francesa, que foi a que li.)

Diz ele na introdução: ao publicar estas considerações eu queria, como alemão, levar os meus compatriotas a buscar a clareza e a unanimidade e, como homem, tomar parte com os outros homens, num esforço comum pela verdade.

 

Neste livro Jaspers distingue quatro tipos ou graus de culpabilidade:

 

1) a culpabilidade criminal - os crimes são constituídos por actos objectivos que infringem leis unívocas. A instância competente, o tribunal, estabelece os factos e aplica as leis;

 

2) a culpabilidade política - reside nos actos dos homens de Estado e no facto de, sendo nós cidadãos dum Estado, devermos assumir as consequências dos actos cometidos por esse Estado aos quais estamos subordinados e cuja ordem nos permite viver. Cada indivíduo carrega uma parte da responsabilidade pelo modo como o Estado é governado;

 

3) a culpabilidade moral - os actos que realizamos são sempre, em última análise, individuais,e nós somos moralmente responsáveis por eles (mesmo os políticos ou os militares). A expressão «uma ordem é uma ordem» não tem, nunca, um valor decisivo. Um crime não deixa de ser crime pelo facto de ter sido ordenado (embora possa ter circunstâncias atenuantes); do mesmo modo, todo o acto se submete ao juízo moral.

A instância competente é a consciência individual.

 

4) a culpabilidade metafísica - existe entre os homens, pelo facto de serem homens, uma solidariedade em virtude da qual cada um se torna co-responsável de toda a injustiça e de todo o mal cometidos no mundo, em particular dos crimes cometidos na sua presença ou sem que os ignore. Se nada fazemos para os impedir somos cumplices.

 

Eu estava a ler isto e a pensar no caso da Casa Pia. O que lá se passou, e talvez ainda se passe, é um crime hediondo que espalha um manto de culpas que envergonham não apenas os criminosos que os cometeram, mas o país também.

Uma casa de acolhimento de crianças. Pobres, abandonadas,a precisar de protecção, carinho, segurança. Uma casa que as autoridades transformaram numa espécie de quinta onde se engordam os cordeirinhos para serem repartidos em festins pelos lobos.

Um crime que dura há quanto tempo? Francamente não sei. Isto já vem do tempo do Salazar ou foi só depois do 25 de Abril?

 

Anos e anos e anos, implicam criminosos e criminosos e criminosos. Tantos anos de abusos continuados a tantas crianças implicam muitos criminosos. Basta fazer umas contas. O Bibi, sozinho, não abusou de centenas de crianças durantes sei lá quantos anos, aos 10 por dia, como é evidente.

E estamos a falar de criminosos em todos os ramos do poder. Porque foi preciso muita cobertura para guardar segredo e proteger os criminosos e os crimes. Tem de haver ali políticos, gente da administração, da polícia, juízes, etc. Onde está toda essa gente? Esses pedófilos, chulos e proxenetas? É assustador pensar que podemos estar a ser governados, directa ou indirectamente,  por gente desse calibre.

 

Que não se tenha tentado apurar a verdade de que fala Jaspers é trágico porque impede a catarse do crime: porque não se atribui a culpa criminal a quem a tem, nem a moral tampouco - todos os que souberam e calaram, por medo, por ambição política etc., têm uma grande nódoa - esses que tudo viram, tudo sabiam e nada fizeram. São pessoas sem aquilo que Jaspers chama "imaginação do coração", isto é, a capacidade de se pôr no lugar do outro e sentir o seu sofrimento intolerável.

Mas, que alguém do Estado, portanto também em meu nome, tenha acobertado esses crimes, torna-me a mim cúmplice involuntária, porque o dinheiro dos meus impostos também serviu para manter a quinta dos cordeiros para os lobos. Essa gente manchou todo o povo com os seus crimes. Mesmo quem não votou nestes tipos é, como diz Jaspers, co-responsável pelos actos que o Estado comete, pois é em seu nome que são feitos. 

 

Tenho esperança, e a história dá-me a certeza, de que todos os nomes serão, um dia, conhecidos. É sempre assim. Com o tempo tudo acaba por se saber, porque os que sabem acabam sempre por falar.  Pode levar tempo, mas acontecerá.

Tenho pena dos filhos desses criminosos que ficarão manchados pelos crimes dos pais, para sempre.

Acima de tudo tenho pena dos miúdos obrigados a tansformarem-se em velhos antes do tempo, por aqueles que os deviam defender.

 

'Monstro', significa 'homem-besta'; e a monstruosidade significa a desumanização do outro.

Um dia toda a gente conhecerá o rosto dos monstros que cometeram estas monstruosidades.

 

 

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publicado às 01:21

 

 

O QUÊ????

 

Ò Senhor primeiro ministro! Então os professores são essenciais para aumentar a riqueza do país?

 

Então os professores já não são aqueles idiotas que fazem um trabalho que qualquer um sabe fazer, um trabalho que só faz quem não sabe fazer mais nada?

 

Então os professores são importantes?

 

Ah bem! Então é por isso que está numa luta contra os professores? Ah, estou a ver! É para os motivar, claro!

É por isso, também, que lhes retirou, nestes últimos anos, 12% do poder de compra? Foi para os motivar, claro!

É por isso que lhes chama calões, incompetentes, etc? É para os motivar, claro!

 

 

 

Olhe, já agora, senhor primeiro ministro, se os professores são assim tão importantes para a riqueza do país, importa-se de não os destruir? Ou, por exemplo, usar dois ou três milhões dos que tem reservados para os parasitas do sistema e usá-los para fazer obras nas escolas, equipá-las, já não digo com aquecimento ou ar condicionado, mas casas de banho minimamente decentes, ao menos?

 

E já agora, só uma coisinha. Não é agora que está sozinho. Esteve sempre sozinho! Então o senhor pensa que aqueles que têm opinião a pagamento estão consigo por lealdade?

 

Lol. 

 

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publicado às 22:01

 

 

 

1. Escolher professores permeáveis, submissos e, de preferência, de baixa produtividade (conselhos executivos e respectivos satélites, grosso modo).

 

2. Promovê-los.

 

3. Exigir a contrapartida das promoções: que impeçam os colegas, sobretudo os mais produtivos e autónomos de subir na carreira, para não ter que desembolsar dinheiro a premiar o seu valor e, para acabar com as vozes dissidentes;

 

4. Acabar com os quadros das escolas para que os professores não tenham tempo, nem de criar laços de solidariedade com os colegas, nem apego às escolas.

 

5. Desincentivar a qualidade do ensino de modo a que todos possam progredir sem precalços.

 

6. Mostrar a todos (alunos, pais e professores), através do exemplo pessoal, que não é com o estudo que se sobe na vida.

 

7. Para dar cumprimento ao ponto 5, deve-se:

 

    a. encher as turmas de alunos de modo que o professor não consiga sequer conhecê-los a todos;

    b. encher o professor de turmas;

    c. obrigar o professor a escrever vários relatórios e fichas por aluno, em cada período;

    d. ocupar o professor com tarefas inúteis;

    e. evitar, a todo o custo, que o professor tenha tempo para ler e pensar e, sobretudo, dinheiro, para comprar livros, para ir ao teatro, para ir ao cinema, para ir a um museu, etc.;

    f. obrigar o professor a frequentar periodicamente acções de formação sobre temas pouco relevantes e, de preferência, com formadores ignorantes daqueles que enchem os centros de formação ( em geral, pessoas que passaram directamente de professores primários a professores universitários, sem passar pela casa da partida);  essas acções devem funcionar à noite, depois das aulas quando estão mais mortos que vivos;

    g. reservar os cargos aos professores promovidos ( referidos no ponto 1) de modo a que   sejam eles a imprimir uma certa (medíocre) dinâmica ao trabalho da escola;

    h. colocar os professores longe de suas casas para os empobrecer e manter cansados e  submissos;

    i. diminuir o número de funcionários auxiliares das escolas para que aumente a instabilidade e indisciplina nas escolas (o lema é: um professor estourado é um professor calado);

    j. obrigar o professor a custear parte da educação dos seus alunos: é imprescindível que o professor pague do seu bolso as cópias de testes, fichas etc. (para o que se deve ter as      fotocopiadoras da escola a cair de podres e as impressoras sem tinteiros); papel, canetas,etc.

    k. desincentivar o uso de livros:o professor não poderá descontar nos impostos os custos  com a sua formação pessoal e profissional;

    l. o professor deve trabalhar em condições precárias para andar sempre irritado e em   stress: não ter giz para escrever; os tacos do chão devem estar podres e soltos para que ele possa tropeçar com frequência; não devem haver cadeiras suficientes para todos os alunos se sentarem; nunca ter, ao mesmo tempo, a tv e o leitor de dvd ou, em caso de, excepcionalmente, estarem os dois a funcionar, garantir a inexistência da extensão ou da ficha tripla; não ser possível trabalhar com os pcs portáteis na sala de aula por não haver extensões, ou carregadores, ou acesso à internet; o ratio de computador por cabeça, na escola, deve ser de 1 para cada 50; não se deve arranjar as persianas para parecer que é sempre noite; não devem haver casas de banho com os canos desentupidos ou até, se possível, sem água; não deve haver sala de professores separada do bar dos alunos para que os professores estejam sempre expostos ao máximo ruído possível - é também uma medida eficaz para impedir que os professores possam discutir e trocar ideias; não poderá haver sala onde os directores de turma possam ter uma conversa privada com os pais ou os alunos;

 

Paralelamente a estas medidas é fundamental:

 

    1. chamar nomes aos professores, frequentemente, nos jornais e na t.v.: incompetentes, inúteis, mandriões, etc. Também se pode dizer que são todos ricos;

    2. dizer aos alunos que sabem mais que os professores;

    3. dizer aos pais que eles é que sabem como se deve ser professor e qual é a melhor a melhor maneira de ensinar;

    4. dizer aos alunos que estudar é uma chatice e que a escola é para lhes dar prazer;

    5. que os professores que não dão prazer são incompetentes;

    6. incentivar os programas de tv que apelam ao sexo, ao consumismo e à passividade;

    7. dizer aos alunos que a opinião deles sobre tudo e mais alguma coisa é equivalente à dos especialistas e incentivá-los a gritá-la em qualquer situação;

    8. promover a ideia de que o sucesso é dinheiro e que o saber é algo do passado;

    9. finalmente, dizer a pais e alunos que o insucesso não tem a ver com o estudo mas apenas com a incompetência do professor.

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publicado às 18:49


Acabadinho de sair do forno

por beatriz j a, em 18.12.08


 

 

      

 

 

 

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publicado às 19:18


Carta aos amigos?

por beatriz j a, em 17.12.08

 

 

Hoje em dia é praticamente impossível abrir um jornal ou ligar a t.v. à hora dos noticiários sem se ficar mal disposta para o resto do dia.

Ontem foi o DN e o artigo de opinião de Mário Soares dn.sapo.pt/2008/12/16/opiniao/a_crise_e_milhoes.html : A Crise e os Milhões.

Aquilo que começa por parecer ser um artigo de crítica e de censura pelo modo como os governantes depauperam o país revela-se, afinal, como uma carta de aviso aos amigos. Fala-se ali em roubos, corrupção, incompetência, incúria, enriquecimento à custa da destruição da classe média; mas, pergunto eu, com que objectivo?

Porventura transparece a preocupação com essa classe média? Com o povo? Com o destino do país? Admito que posso estar redondamente enganada, mas não é o que me parece. Todo o cuidado está em avisar os amigos que se acautelem, não vá o povo virar-se contra eles, como já fez em França e como está a fazer na Grécia:

"E querem depois o voto desses mesmos eleitores, sem os informar seriamente nem esclarecer? É demais! É sabido: quem semeia ventos colhe tempestades..."  Isto a mim parece-me um aviso; mais do que criticar a prevaricação critica-se a falta de jeito com que o fizeram, quer dizer, deviam as pessoas ter engendrado umas explicações, qualquer coisa, enfim, que apaziguasse os ânimos mais exaltados.

Aconselha-se a sentir o pulso do povo, da classe média, das pessoas nas ruas, nas universidades...LOL  Repararam o cuidado em evitar referir as escolas, para não criar problemas ao primeiro ministro e à «coveira» da educação? E porquê?

Ora, porque em primeiro lugar, antes de tudo, está a família. É por isso que se exclui do povo a auscultar, os professores;  constituídos, na sua maioria, por mulheres, como é sabido, representa fatia grande da classe média trabalhadora que tem sido sistemática e eficientemente empobrecida, para que suas excelências possam brincar ao Monopólio, na bolsa, e fazer as festas do avental. Pois é, a família vem em primeiro lugar e antes de tudo.

E, quem é a família? Bem, não é difícil saber. Desde o 25 de Abril que os vemos colados na cadeira do poder. Essa gente tem o cuidado de distribuir a familia - a de sangue - pelos cargos e corredores do poder político e económico, como salvaguarda para os anitos em que têm de sentar-se na bancada da oposição, para dar a vez aos do outro partido, que também têm as suas famílias para cuidar.

É por isso que a família vem sempre em primeiro lugar:  eles são uns para outros e o país é o seu couto privado. É evidente que a caça somos nós. E como as coisas estão já nem se respeita a época do defeso - como se vê pelo processo da Casa Pia, isto 'é fartar vilanagem!'.

De modo que, como eu vejo a coisa, aquele artigo do ex-presidente Mário Soares, é, acima de tudo, uma carta de aviso aos amigos: vocês tenham cuidado que ainda estragam o arranjinho. Que diabo! Há anos que funcionamos todos tão bem neste país eternamente adiado! Ainda me lembro daquelas férias nas Seychelles!

É que se vocês não sabem fazer a coisa como deve ser, mais vale mudar de caras como na América.

 

Não? Estou enganada? Sou eu que estou a ver mal? Deve ser...

 

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publicado às 20:11


Futuro radioso

por beatriz j a, em 10.12.08

 

 

É uma tristeza quando aqueles cuja liderança nos devia inspirar e motivar são pessoas desprezíveis, pela persistência na ignorância, pela leviandade dos actos, pela falta de sentido histórico, pela falta da mais elementar auto-crítica, pela leveza com que metem a mão nos bolsos alheios para encher os seus, pela evidência duma ausência de nobreza, pela mediocridade.

 

É uma tristeza, verificar o renascimento da emigração em massa. As pessoas não poderem contar com o seu próprio país e terem de fugir, como quem foge de gangs e grupos de malfeitores, para poderem sobreviver.

 

Mas quem poderia imaginar, volvidos tão poucos anos da revolução, este retrocesso na democracia. Todos os dias notícias de pessoas do poder e da legislatura como bandidos que desviam dinheiro, que mantêm casas de alterne como actividade paralela ao trabalho de gestores e administradores de bancos onde o estado enterra o dinheiro dos que trabalham.

 

É insuportável e deprimente isto de sermos governados pelos piores, pelos mediocres, por pessoas que repugnam.

 

E ter que os aturar a debitar mentiras e dislates todos os dias, e saber que estão a transformar a ignorância em legislação. Todos os dias degradam mais um pouco a vida cultural, os horizontes intelectuais, a educação e, por isso, a autonomia e independência do povo. Qualquer dia a vida intelectual permitida por suas excelências resume-se à leitura das biografias adulteradas dos quarenta e do seu chefe.

 

É um pesadelo. Faz-me lembrar a introdução do livro do Zinoviev (dissidente soviético), O Futuro Radioso, que diz assim:

 

"Um dia tive oportunidade de ouvir uma conversa entre dois intelectuais moscovitas. Um deles é um sociólogo que fez esforços titânicos para desenvolver a sociologia soviética a bem do partido, do estado e do povo. E, apesar disso, o seu grupo foi desmantelado em nome desse mesmo partido, desse mesmo estado e desse mesmo povo. Ele próprio foi afastado de tudo, podendo dar-se por feliz por ainda lhe terem deixado a possibilidade de receber o salário. O outro é um pintor conhecido que não fez menos esforços para que as artes plásticas soviéticas atingissem o nível das realizações mundiais mas que não conseguiu sequer, durante vinte e tal anos, realizar a mais pequena exposição.

  Eis a conversa deles, in extenso:

  - Já viste, que p.... de vida!

  - Ora, m...., estou-me c.....!

Não se podia definir com mais precisão a vida na nossa terra."

 

É este, o futuro radioso que nos espera?

 

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publicado às 00:17

 

 

Educar a inteligência é dilatar o horizonte dos seus desejos e das suas necessidades. (James Russell Lowell)

 

A verdadeira educação consiste em pôr a descoberto ou fazer actualizar o melhor de uma pessoa.
(Mahatma Gandhi)

Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.(Pitágoras)

 

A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe. (Jean Piaget)

 

O verdadeiro órfão é aquele que não recebeu educação.
(Etienne Bonnot de Condillac)

 

A educação é o maior e mais difícil problema imposto ao homem.
(Immanuel Kant)

 

A violência é fruto da falta de educação.(Leonel Brizola)

 

Educar mal um homem é dissipar capitais e preparar dores e perdas à sociedade.(Voltaire)

 

Educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido. (Arthur Lewis)

 

Se acha que a educação é cara, tenha a coragem de experimentar a ignorância. (Derek Bok)

 

A educação, no sentido em que a entendo, pode ser definida como a formação, por meio da instrução, de certos hábitos mentais e de certa perspectiva em relação à vida e ao mundo. Resta indagar de nós mesmos, que hábitos mentais e que género de perspectiva se pode esperar como resultado da instrução. Um vez respondida essa questão, podemos tentar decidir com o que a ciência pode contribuir para a formação dos hábitos e da perspectiva que desejamos. (Bertrand Russell)

 

A felicidade dos povos e a tranquilidade dos Estados dependem da boa educação da juventude. (Emilio Castelar)

 

O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. (Immanuel Kant)

 

A educação é para a alma o que é a escultura para o bloco de mármore.
(Joseph Addison)

 

Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda. (Paulo Freire)

 

Educar es depositar en cada hombre toda la obra humana que le ha antecedido. (José Martí)

 

O importante da educação não é apenas formar um mercado de trabalho, mas formar uma nação, com gente capaz de pensar. (José Arthur Giannotti)

 

A educação é o processo pelo qual o indivíduo desenvolve a condição humana, com todos os seus poderes funcionando com harmonia, em relação à natureza e à sociedade. Além do mais, é o processo pelo qual a humanidade, como um todo, se eleva do plano animal e continua a desenvolver-se. Implica tanto a evolução individual quanto a universal. (Friedrich Froebel)

 

O importante da educação não é o conhecimento dos factos, mas dos valores" (Dean William R. Inge)


A educação é a arma mais poderosa que pode usar para mudar o mundo. (Nelson Mandela)

 

Um professor afecta a eternidade; é impossível dizer até onde vai a sua influência." (Henry Adams)

 

Um professor que tenta ensinar, sem inspirar o aluno com o desejo de aprender, está martelando em ferro frio. (Horace Mann)

 

O verdadeiro professor defende os alunos contra a sua própria influência de mestre. (Louisa May Alcott)

 

Se eu não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro. (D. Pedro II)

 

A tarefa essencial do professor é despertar a alegria de trabalhar e de conhecer. (Albert Eisntein)

 

Grande professor será aquele que realiza o que ensina. (Columbano)

 

Ao emendar aquilo que precisa de correcção, o bom professor não é rude. (Quintiliano)

 

A primeira fase do saber é amar os nossos professores.
(Erasmo de Rotterdam)

 

Com um pé no chão e o outro nas estrelas o professor pode levar os seus alunos a todos os lugares. (José Ribamar Feitosa)

 

 

 

Tinha pensado transcrever para aqui algumas frases dos responsávies pela educação no nosso país mas tive dificuldade em encontrar pensamentos dessas pessoas sobre a educação e, os que encontrei sobre os professores são em linguagem ordinária (comparam os professores a ratos!) que não quero reproduzir aqui. Deixo aqui uma das frases mais utilizadas e que parece agregar os pensamentos destas pessoas sobre o universo educacional e escolar:

 

A produção de conteúdos e o desenvolvimento de acesso à informação e ao conhecimento são também dimensões decisivas deste plano tecnológico. (MLR)

  

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publicado às 09:06


A ministra da educação não cede a ultimatos

por beatriz j a, em 04.12.08

 

 

Esta frase fazia o título dum artigo de jornal no dia da greve de professores, que teve uma adesão superior a 90%. Isto significa qualquer coisa como 120.000 professores, ou mais.

Ah! Mas a ministra não está impressionada e não cede!

Mas então, pergunto eu, a que é que ela cede?

Os professores têm tentado fazer-se ouvir, utilizando os meios próprios das democracias: falaram, avisaram que as coisas nas escolas estavam a resvalar perigosamente; escreveram, pediram aos seus representantes para alertarem o poder, denunciaram a violência, a indisciplina, a artificialidade dos resultados escolares, os perigos e custos da desagregação dos professores por causa dos efeitos preversos que a promoção política de uns professores a chefes dos outros, fixada no Estatuto da Carreira Docente veio gerar; alertaram para o absurdo e injusto campeão da revolta que é este modelo de (não)avalição dos professores.

Nada disto teve eco junto da senhora. Foi como chocar contra uma parede. A ministra nem se dava ao trabalho de fingir que ouvia os professores - dizia, com o maior despudor, não ligar às vozes dos professores, porque não passavam de rebanhos de sindicatos e chamava-nos 'professorzecos'. Que vergonha!

Ela se calhar não sabe, mas os professores são, na sua esmagadora maioria, pessoas com formação académica superior, com estágio profissional e ainda com inúmeras formações mais ou menos especializadas, que são obrigados a fazer sob pena de terem avaliação negativa e não progredirem na carreira (avaliação, sim).

Bem, como nada a demoveu, os professores resolveram fazer uma manifestação, que era um modo de mostrar que estas posições e juízos sobre a educação não eram obra de uns grupos, antes constituiam a visão da quase totalidade dos profissionais da educação.

Não quis saber. Desvalorizou?! Como é que uma pessoa que é chefe duma equipa de profissionais educados e especializados com os quais tem de trabalhar, se dá ao luxo de os desvalorizar? Se isto é uma regra de Gestão eu não a entendo.

Então, eu tenho uma equipa para realizar um trabalho e a primeira coisa que faço é maltratá-la de todos os modos possíveis de maneira a que ninguém consiga identificar-se comigo e com os meus objectivos? Tento pô-los uns contra os outros de modo a que já não consigam colaborar e fazer o trabalho? Faço de modo a que ninguém, na equipa, me tenha lealdade? LOL

Não percebo, mas se é esta a ideia de competência que anima os nossos governantes, muita coisa fica imediatamente explicada.

Mas, voltando à vaca fria, como costuma dizer-se, os professores ainda fizeram uma segunda manifestação, e uma terceira, para mostrar que a luta não era por poderes político-sindicais mas pela sobrevivência da escola. A senhora desvalorizou. Disse que eram agitadores.

Bem, como forma de luta radical fizemos greve, que é assim uma maneira de dizer: olha que estamos todos de acordo e isto significa que a questão é mesmo grave, é necessário olhar para a situação e corrigir o que pode ser corrigido.

Qual foi a resposta? A ministra não cede a ultimatos!! Mas então o que é preciso para que ouça?

 Algo de muito errado se passa quando numa democracia nenhum processo democrático funciona.

Penso que a ministra da educação despreza os professores.

Talvez por vivermos numa sociedade em que o sucesso é medido pelo dinheiro que se tem, pelo poder económico, a maioria do povo pensa que ter este tipo de sucesso e ter qualidade são sinónimos.

Por essa ordem de ideias, raciocinam deste modo: se os professores não são (ou não foram)  capazes de ter sucesso na vida (ganhar dinheiro e ter muito poder, entenda-se), segue-se  claramente que são pessoas sem qualidade.

Deste tipo de raciocínios duas coisas ficam claras:

1ª, quem assim pensa, pensa também que ser professor e dedicar-se à educação é uma profissão menor já que não dá acesso àquele sucesso tão valorizado na sociedade.

A minha pergunta é: como é que alguém que tem em tão baixa estima a educação e a profissão de professor pode estar à frente duma equipa de professores a ditar políticas para a educação?  É um contra-senso.

2ª, quem assim pensa não tem uma mente educada no conhecimento da História, por um lado, e na reflexão, por outro. É que a História mostra-nos muitos casos em que as sociedades foram tomadas de decadência das suas virtudes justamente por terem permitido que o sucesso aparente baseado na lógica do simulacro substituisse o saber real. E quem tem hábitos de reflexão descortina isso, por si mesmo, vendo como em tantos casos do quotidiano, pessoas cheias desse sucesso (enchem as televisões) exibem uma confrangedora ignorância a respeito dos assuntos de que falam.

A minha pergunta é esta: como é que se evita que as democracias acabem sempre nisto?

É claro que estas perguntas não são novas. Grandes pensadores já se questionaram sobre elas e sendo tão complexas, não têm respostas simplex.

Enfim, para quem pensa.

 

 

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publicado às 13:53


De Memória 1

por beatriz j a, em 03.12.08

 

 

Mais de vinte anos a trabalhar como professora.

Aprende-se muito, sobre as pessoas, sobre a  sociedade, sobre a vida em geral. A escola é uma miniatura muito precisa da sociedade e das suas (r)evoluções. Tudo o que se passa nesta última imediatamente se repercute na atmosfera, no ambiente, na dinâmica e, por isso, na vida da escola e dos que a frequentam.  

 

Só para dar um exemplo: sempre que o desemprego aumenta, as famílias aumentam o seu nível de tensão e stress. Os pais, sem dinheiro para fazerem face às despesas, são menos tolerantes aos pedidos dos filhos e às suas crises da adolescência, são mais beligerantes porque menos capazes de lidarem com as frustrações do quotidiano; tudo isso afecta, por sua vez, a atitude dos filhos na sala de aula (e fora dela) para com os colegas e com os professores.

Nestas circunstâncias, de precariedade de vida aliada à ausência de estruturas de suporte social, qualquer situação de conflito entre alunos/pais e professores facilmente resvala e se torna explosiva, sobretudo se o poder que tutela, em vez de assumir uma voz exemplar de equilíbrio regulador, é o primeiro a acirrar os cães para cima das pessoas.

Discute-se muito hoje a crise da educação mas quem está lá dentro há um certo tempo e tem os olhos abertos viu de longe a encruzilhada em que nos encontramos. Havia tantos sinais à vista que era fácil adivinhar onde se chegaria e como.

Basta puxar um pouco pela memória para se começar a ver as pontas dos fios com que se emaranhou este novelo da escola pública.

 

De memória, só de memória, tal como foram vistos, por dentro, pelas tropas das trincheiras, desenterrar os acontecimentos, as (más) decisões que serviram de pedra de toque à edificação desta anarquia.

A outros o trabalho futuro de reconstituir essa anarquia edificada pelos documentos - leis, despachos, decretos, etc. que a legitimaram.

 

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publicado às 20:45

g.a


3-8-12



no cabeçalho, pintura de Paul Béliveau. mail b.alcobia@sapo.pt

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