Uma classe zombie e um ministro bárbaro
Santana Castilho, de novo e sempre, sofrendo as dores que são nossas, descobrindo-nos as feridas assim, sem paninhos quentes, o pus à vista, urgindo tratamento .. Nada. Os professores "comem e calam", sempre o fizeram, vergando-se (ainda que contrariados) aos devaneios tresloucados dos vários ministros que vão passando pela Educação, PSs ou PSDs. Apanham e parece que pedem mais. Queixam-se muito - na sala de professores. Manifestam-se na rua e depois voltam às suas escolas, cumprindo tudo, o rabinho metido entre as pernas. A maioria das vezes, só percebem a tempestade depois que o raio os atinge. Não embarcam em lutas "perigosas" tipo greves que (lhes) doam, não ousam, não têm ideias, não se informam, queixam-se só - e baixinho. Não Santana Castilho, que arrisca "gritar" bem alto. Que acusa, coberto de razão. Que se/nos informa. Que pensa por quem tinha, mais que ninguém, obrigação de pensar. Que aponta caminhos a quem teima em não os ver (greves de zelo, por exemplo? às matrículas, à formação de turmas.. ? ). Pois .. o tanto que se podia (devia!) fazer, e a mossa que isso ia causar, assim a classe o ouvisse !!!
Fui dar ao blog (com um link no blog, 'O Estado da Educação...') donde tirei este post que antecede um artigo do S. Castilho que saiu no Público, do qual já tinha visto referências mas ainda não tinha lido.
Quem escreve este post é uma tal Ana Lima que não faço ideia quem seja mas que me chocou pela maneira como fala dos professores e, portanto, também de mim.
Uma coisa mesmo ofensiva como se lê na parte que destaquei: que somos burros, que nos queixamos baixinho mas não fazemos nada, que andamos sempre com o rabinho entre as pernas... onde estava esta Lima quando os professores saíam à rua contra a Lurdes Rodrigues e o Sócrates, aguentando ameaças e bullying? Onde estava quando muitos professores denunciavam, na rua, na imprensa, nos blogues, o clima de terrorismo que se vivia nas escolas? Onde estava quando resistiam, durante anos a ataques vindos de todos os lados: do ministério ao Parlamento, dos meios de comunicação social aos pais e encarregados de educação? Onde estava quando se puseram professores contra professores? Onde estava quando toda a gente elogiava o Sócrates, o Teixeira e a Rodrigues? Quem é que tirou a maioria absoluta ao Sócrates? Porque é que esta senhora não faz a sua parte? Ou a sua parte é chamar nomes aos professores?
Esta senhora, a pretexto de dizer mal de Crato por este atacar os professores consegue ser mais ofensiva que ele!
Bem, e quanto ao artigo do S. Castilho, é a mesma coisa: somos zombies, mortos vivos e sei lá mais o quê! Porque não nos encostam à parede e fuzilam?
E francamente, os termos com que se refere às pessoas, mesmo ao ministro, da parte de quem se achou ministeriável... acho um bocado vulgar falar em esgoto e outras coisas do género. Acho que não eleva a discussão e leva a lado nenhum.
Eu, pela minha parte, agradeço a toda a gente que luta pela escola pública e defende os professores, que são quem a sustenta e permite, mas também agradeço que o façam sem nos ofenderem pois isso contraria e anula o objectivo que se quer atingir.